A comunidade católica do Recôncavo Baiano celebrou, nesta quinta-feira (4), o feriado de Corpus Christi, expressão que significa “corpo de Cristo” em latim. A data móvel é celebrada pela Igreja Católica sempre 60 dias após o domingo de Páscoa ou na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade, relembrando o dia no qual Jesus Cristo instituiu o sacramento da eucaristia. Segundo a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a data celebra a “presença real de Jesus Cristo no pão e no vinho”.
Em Santo Amaro, a celebração na sede do município reuniu fiéis e membros de duas comunidades religiosas locais: a Paróquia Nossa Senhora do Rosário e Santo Amaro e a Paróquia Nossa Senhora da Purificação. A Santa Missa foi realizada na manhã de hoje na Basílica Nossa Senhora da Purificação, sendo conduzida pelo Padre Jerônimo Santos Silva, pároco da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário e Santo Amaro.
Apesar do clima de devoção litúrgica, o encerramento da celebração foi marcado por um forte pronunciamento de protesto feito pelo Padre Jerônimo Santos Silva. O líder religioso utilizou a palavra para manifestar publicamente o seu profundo repúdio ao funcionamento integral do comércio local durante a manhã do feriado.
O pároco direcionou suas críticas à gestão do sindicato da categoria pela decisão de abrir os estabelecimentos comerciais em um dia considerado Santo. De acordo com o Padre Jerônimo, Santo Amaro possui uma população com alta quantidade de católicos, e a abertura das lojas privou os cidadãos que trabalham no setor de exercerem sua fé. Ele ressaltou que esses trabalhadores ficaram impedidos de participar da Sagrada Eucaristia.
“Esse ato só faz afastar Deus”, disparou o líder católico durante sua fala na basílica.
O sacerdote subiu o tom ao avaliar o comportamento econômico em detrimento da tradição cultural e religiosa do município. O padre classificou a decisão do sindicato como uma falta de respeito à sacralidade histórica e ao significado do Corpus Christi para a identidade cultural do povo santo-amarense.
“Quanto mais se expulsa Deus das coisas, mais as coisas ruins acontecem. É muito triste uma cidade que tem uma religiosidade tradicional, a mais importante tradição que temos na Igreja, o comércio [ficou] todo aberto”, lamentou o pároco.
Ao final do discurso, o Padre Jerônimo Santos Silva deixou um alerta rígido para os lojistas e representantes sindicais para o próximo ano. O religioso avisou que, caso a abertura do comércio se repita no Corpus Christi de 2027, a tradicional procissão católica deixará de passar pelas ruas que concentram o comércio da cidade de Santo Amaro.



