Dólar atinge R$ 5,18 e marca maior patamar desde março em dia de cautela

Dólar sobe para R$ 5,18, maior valor desde março, em dia de aversão ao risco global e cautela com a política monetária dos Estados Unidos.

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© REUTERS/Rick Wilking/Proibida reprodução
© REUTERS/Rick Wilking/Proibida reprodução

O mercado financeiro brasileiro registrou um movimento de alta expressiva na cotação do dólar nesta terça-feira (23). A moeda norte-americana encerrou o dia cotada a R$ 5,18, atingindo seu nível mais elevado desde o final de março. O cenário foi marcado por uma acentuada aversão ao risco global, que impulsionou a busca por proteção entre os investidores.

Pressão cambial e busca por segurança

O dólar à vista apresentou uma valorização de 0,89%, alcançando a marca de R$ 5,187 ao final do pregão. Durante o período de negociações, a divisa chegou a oscilar até R$ 5,19, refletindo a tensão dos mercados internacionais frente a incertezas macroeconômicas.

Este comportamento do câmbio é reflexo direto da expectativa por novos dados de inflação nos Estados Unidos. Indicadores de atividade econômica acima do esperado no país norte-americano reforçam as apostas de que o Federal Reserve (Fed) manterá uma política monetária restritiva por um período prolongado, o que fortalece a moeda americana globalmente.

Desempenho do Ibovespa e influência do Copom

Apesar do cenário externo adverso, a bolsa de valores brasileira, o Ibovespa, conseguiu reverter a tendência negativa do início do dia. O índice encerrou o pregão com alta de 0,52%, situando-se aos 171.258 pontos.

A recuperação da renda variável foi sustentada pelo desempenho positivo de ações da Petrobras, além de grandes bancos e empresas sensíveis ao ciclo econômico. Outro fator determinante foi a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que trouxe alívio ao mercado.

O documento do Banco Central indicou a possibilidade de uma pausa no ciclo de cortes da taxa Selic, dependendo da evolução do cenário internacional. Essa sinalização foi interpretada como mais clara do que o comunicado inicial da semana passada, reduzindo o desconforto dos investidores e permitindo o recuo das taxas de juros futuros.

Cenário externo e mercado de commodities

O ambiente internacional foi pautado pela queda nas ações de tecnologia nos Estados Unidos, com o índice Nasdaq registrando recuo de cerca de 2%. O movimento foi impulsionado por uma realização de lucros em empresas do setor de tecnologia e inteligência artificial, além da cautela com dados de atividade econômica mais fracos na Europa.

O mercado de petróleo também fechou em queda, monitorando negociações geopolíticas que podem impactar a oferta global. O contrato do Brent para setembro recuou 0,93%, cotado a US$ 76,80 por barril, enquanto o WTI para agosto encerrou a US$ 73,21, uma baixa de 0,88%.

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