O mercado financeiro reagiu com cautela nesta sexta-feira (28) às declarações do presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, durante o simpósio de Jackson Hole. A postura mais rígida do dirigente em relação ao controle da inflação nos Estados Unidos impulsionou a moeda estadunidense, que encerrou o dia cotada a R$ 5,196, uma alta de 0,62%. O movimento reflete o aumento das apostas de investidores por um possível ajuste na política monetária norte-americana já no mês de setembro.
Apesar da pressão cambial, o mercado de ações brasileiro demonstrou resiliência. O Ibovespa manteve sua trajetória de recuperação e registrou a oitava sessão consecutiva de ganhos, fechando o pregão aos 175.664,62 pontos. O desempenho positivo na semana, que acumulou uma valorização de 2,71%, contrasta com a volatilidade observada nos índices de Nova York, que sofreram recuos diante da perspectiva de juros mais elevados por um período prolongado.
Impacto das declarações de Kevin Warsh no câmbio
A valorização do dólar foi impulsionada diretamente pelo discurso de Warsh, que enfatizou a necessidade de manter o combate à inflação subjacente caso os indicadores não retornem à meta de 2% de forma consistente. Essa sinalização provocou uma corrida aos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, elevando os rendimentos dos papéis de dois anos para 4,35%.
O índice DXY, que mede o comportamento do dólar frente a uma cesta de moedas globais, encerrou o dia em alta de 0,57%, atingindo 99,668 pontos. No Brasil, o dólar chegou a tocar a máxima de R$ 5,23 durante o período da tarde, antes de reduzir o ritmo de valorização no fechamento do pregão, acumulando uma alta semanal de 1,06%.
Desaceleração do emprego e expectativas para a Selic
Internamente, os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) trouxeram novos elementos para o debate sobre os juros básicos da economia. Com a criação de 58.568 vagas formais em julho, abaixo das projeções de mercado, consolidou-se a percepção de uma desaceleração no mercado de trabalho nacional.
Este cenário reforça a expectativa de que o Banco Central brasileiro inicie um ciclo de cortes na Taxa Selic em setembro. A aposta predominante entre analistas aponta para uma redução de 0,25 ponto percentual, levando a taxa dos atuais 14% para 13,75% ao ano. O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos permanece como um vetor crítico para o fluxo de capitais e o comportamento do câmbio no curto prazo.
Desempenho da B3 e o fluxo de recursos estrangeiros
O Ibovespa conseguiu sustentar o otimismo, mesmo após a divulgação do discurso de Warsh ter reduzido o ímpeto comprador no decorrer do dia. Embora tenha recuado de patamares superiores a 176 mil pontos, o índice encerrou o dia com alta de 0,30%, consolidando uma sequência positiva rara.
Os dados da B3 indicam uma entrada líquida de recursos estrangeiros, com saldo positivo de R$ 1,3 bilhão nos quatro pregões anteriores ao fechamento. Contudo, o saldo acumulado no mês de agosto ainda permanece negativo em R$ 18,7 bilhões, evidenciando que o fluxo de capital externo segue cauteloso diante do cenário macroeconômico global, conforme detalhado em análise da Agência Brasil.





