O dólar americano encerrou o dia em forte alta, atingindo R$ 5,22 nesta segunda-feira, 28 de setembro de 2026. Este patamar representa o maior valor da moeda em quase seis meses. Paralelamente, a Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) registrou sua quarta queda consecutiva, refletindo um cenário de turbulência nos mercados globais.
A valorização do dólar foi impulsionada por uma aversão global ao risco. Fatores como a elevação dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e as incertezas nas negociações entre Estados Unidos e Irã contribuíram para o fortalecimento da divisa americana frente a outras moedas.
Desde o início das operações, o dólar comercial demonstrou tendência de alta, superando a marca de R$ 5,22 ainda pela manhã. O fechamento oficial foi de R$ 5,226, com uma valorização de 0,83%, marcando o maior fechamento desde 30 de março de 2026.
A movimentação da moeda americana no Brasil acompanhou o desempenho global, com o dólar se fortalecendo contra moedas de países emergentes. O índice que mede a performance do dólar frente a seis outras moedas importantes registrou alta de 0,05% às 17h04. A elevação dos rendimentos dos títulos de 10 anos do Tesouro dos EUA, que fechou em 5,2319% (ante 5,181% na sexta-feira, 25 de setembro de 2026), tornou ativos de maior risco menos atrativos, incentivando a fuga de capitais de economias como a brasileira.
Cenário Doméstico e Projeções Econômicas
No cenário interno, as eleições presidenciais mantiveram as atenções do mercado, embora as pesquisas divulgadas não tenham alterado significativamente o panorama de disputa. O Banco Central também informou que o Brasil registrou um déficit de US$ 5,055 bilhões nas transações correntes em agosto de 2026. Contudo, o investimento direto no país no mesmo mês somou US$ 7,396 bilhões.
De acordo com o Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com instituições financeiras, a projeção mediana para o dólar ao final de 2026 permaneceu em R$ 5,20. As estimativas para a inflação também foram revisadas: a previsão para 2026 subiu de 4,92% para 4,99%, e para 2027, de 4,30% para 4,31%.
Ibovespa Acumula Quedas
O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, encerrou o pregão em baixa de 0,26%, atingindo 182.991,13 pontos. Com este resultado, o índice acumulou o quarto dia consecutivo de perdas. Apesar da sequência negativa, o Ibovespa ainda mantém um saldo positivo de 3,14% em setembro de 2026 e de 13,57% no acumulado do ano.
O ambiente externo também pressionou os mercados acionários, com as bolsas de Nova York registrando quedas. O índice S&P 500, que reúne as 500 maiores empresas dos Estados Unidos, fechou a sessão com recuo de 0,77%. No Brasil, a alta do petróleo ajudou a mitigar a queda para empresas do setor, enquanto o índice Small Caps, que exclui a Petrobras, caiu 1,2%.
Petróleo em Alta com Tensões Geopolíticas
O mercado de petróleo também registrou alta nesta segunda-feira, 28 de setembro de 2026, embora os ganhos tenham sido reduzidos ao longo do dia. O barril do tipo Brent, referência internacional, subiu 0,40%, para US$ 97,83. Já o barril WTI, do Texas, avançou 0,21%, alcançando US$ 92,60.
As incertezas sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã e as dificuldades para normalizar o tráfego pelo Estreito de Ormuz foram fatores cruciais para a valorização do petróleo. Apesar de informações sobre possíveis avanços nas negociações e medidas para aumentar a oferta, como a retomada do bombeamento do oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita (com fluxo estimado em 3,5 milhões de barris por dia), as tensões no Oriente Médio mantiveram a volatilidade nos preços.





