O mercado financeiro encerrou a última sexta-feira sob a influência de uma série de fatores globais, que geraram cautela entre os investidores. As novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos a diversos parceiros, somadas aos desdobramentos da guerra no Oriente Médio, foram os principais pontos de atenção. Nesse cenário, o dólar frente ao real registrou estabilidade no fechamento do dia, mas a bolsa de valores brasileira apresentou uma queda significativa, impactada pela desvalorização do petróleo.
Apesar da estabilidade diária, a moeda norte-americana acumulou uma leve queda ao longo da semana, enquanto o índice Ibovespa, mesmo com a baixa da sexta-feira, conseguiu fechar a semana com um saldo positivo. O preço do petróleo, que havia atingido patamares elevados, recuou no último pregão, em meio a expectativas de uma possível retomada de negociações entre Estados Unidos e Irã.
Dólar se mantém em R$ 5,08, mas registra queda semanal
O dólar comercial encerrou o pregão da sexta-feira praticamente sem variação, cotado a R$ 5,081, o que representou uma leve queda de 0,06%. Ao longo do dia, a cotação abriu em R$ 5,09 e chegou a recuar para R$ 5,04 por volta do meio-dia, mas se aproximou da estabilidade na parte da tarde. Apesar da performance diária, a moeda norte-americana acumulou uma desvalorização de 0,58% na semana.
A dinâmica do câmbio foi fortemente influenciada pelo cenário externo. Investidores monitoraram a entrada em vigor de novas tarifas de 10% a 12,5% aplicadas pelos Estados Unidos a 60 parceiros comerciais, incluindo o Brasil. Além disso, as notícias sobre uma possível retomada das negociações entre Washington e Teerã, com mediação do Paquistão e apoio da China, também contribuíram para a movimentação.
O real brasileiro demonstrou um desempenho superior a outras moedas emergentes durante a semana. Esse resultado foi impulsionado pelo status do Brasil como exportador líquido de petróleo e pela atrativa diferença entre os juros domésticos e os praticados nos Estados Unidos, que continua a atrair capitais financeiros. O índice DXY, que acompanha o dólar em relação a uma cesta de moedas fortes, finalizou o dia com estabilidade.
Ibovespa recua sob influência de fatores externos
No mercado de ações, o Ibovespa registrou uma queda de 1,52%, encerrando o pregão da sexta-feira aos 174.041 pontos, na mínima do dia. Apesar do recuo no último dia, o principal índice da bolsa brasileira conseguiu acumular uma alta de 0,19% na semana.
A desvalorização do petróleo levou muitos investidores a venderem ações de empresas do setor, buscando realizar lucros recentes. As ações de mineradoras também acompanharam a queda no preço do minério de ferro. Grandes bancos, por sua vez, sentiram o impacto da redução do fluxo de capital estrangeiro para os mercados emergentes.
Além do cenário internacional, o mercado também acompanhou as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. Contudo, como o anúncio dessas medidas já vinha ocorrendo nas últimas semanas, a avaliação dos investidores é que grande parte do impacto já estava precificada nas ações.
Petróleo corrige após picos, mas riscos persistem
Após ter ultrapassado a marca de US$ 100 por barril na quinta-feira, pela primeira vez desde maio, o preço do petróleo devolveu parte dos ganhos na sexta-feira. O barril do tipo Brent, referência para a Petrobras, fechou em US$ 96,78, com uma queda de 3,88%. Já o petróleo WTI, do Texas, recuou 3,12%, sendo negociado a US$ 89,31.
Esse movimento de correção foi desencadeado por informações de que a China iniciou uma articulação diplomática para reabrir as negociações entre Estados Unidos e Irã, com a participação do Paquistão. Tal expectativa de redução das tensões no Oriente Médio aliviou a pressão sobre os preços.
Apesar da correção, o mercado mantém-se vigilante quanto aos riscos para a oferta global de petróleo. Os confrontos entre Estados Unidos e Irã persistem, o Estreito de Ormuz opera com tráfego reduzido e os ataques dos houthis no Mar Vermelho continuam a representar uma ameaça às principais rotas marítimas de transporte de energia.





