O mercado financeiro brasileiro viveu uma quinta-feira (24) de tensão, com a cotação do dólar comercial registrando valorização de 0,47%, encerrando o dia negociado a R$ 5,193. O movimento reflete um cenário de cautela global, onde a busca por ativos de maior segurança elevou a pressão sobre moedas de países emergentes.
Durante o pico das negociações, por volta das 15h, a divisa norte-americana chegou a ser cotada a R$ 5,202. Com o fechamento de hoje, o dólar acumula uma alta de 0,26% no mês de setembro, embora mantenha um recuo de 5,39% no acumulado de 2026.
A instabilidade foi impulsionada pela alta nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os chamados Treasuries. O papel de dez anos atingiu 5,2209%, patamar não visto desde 2007, o que atrai investidores para o mercado americano e retira liquidez de economias como a brasileira.
Intervenção do Banco Central
Para conter a volatilidade, o Banco Central realizou dois leilões de linha, injetando US$ 1 bilhão no mercado. A estratégia visa aumentar a oferta de moeda estrangeira e garantir liquidez. Paralelamente, a autoridade monetária revisou para baixo a projeção de crescimento do PIB para 2026, passando de 2% para 1,8%.
Ibovespa e o cenário fiscal
Na bolsa de valores, o Ibovespa acompanhou o pessimismo externo e fechou em queda de 0,99%, aos 183.965 pontos. O ambiente doméstico também pesou, com investidores reagindo às novas projeções fiscais do governo. A estimativa de déficit efetivo para 2026 foi elevada para R$ 80,9 bilhões, enquanto a necessidade de contenção de despesas foi ajustada para R$ 16,1 bilhões.
Alta do petróleo
O mercado de commodities também trouxe preocupações. O barril do tipo Brent subiu 3,41%, sendo cotado a US$ 106,60, enquanto o WTI avançou 2,65%, atingindo US$ 94,61. A alta é motivada por incertezas geopolíticas envolvendo o Irã e o possível bloqueio do Estreito de Ormuz, rota vital para o transporte global de petróleo. A valorização do insumo reforça temores sobre a persistência da inflação global.





