O mercado de trabalho formal no Brasil apresentou um desempenho positivo ao registrar um crescimento de 3,6% no período de um ano. Segundo os dados da nova Relação Anual de Informações Sociais (Rais) Mensalizada, divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, o país alcançou a marca de 62,2 milhões de vínculos ativos em fevereiro de 2026. Esse resultado representa um incremento de 2,17 milhões de postos de trabalho em comparação ao mesmo mês de 2025.
Protagonismo do setor público na expansão das vagas
O avanço observado no mercado de trabalho foi impulsionado, em grande medida, pela expansão do setor público. Os vínculos nessa categoria cresceram 8,6% na comparação anual, resultando na criação de 1,09 milhão de novos postos. Em contrapartida, os trabalhadores celetistas, regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho, registraram uma expansão de 2,2%, com a abertura de 1,04 milhão de novas vagas formais.
Entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, o mercado formal adicionou 1,39 milhão de trabalhadores. Os agentes públicos, que incluem servidores estatutários e contratados por tempo determinado, foram os principais responsáveis pela alta, saltando de 12,8 milhões para 13,8 milhões de vínculos. O governo federal destacou que, desse total de novas contratações públicas, cerca de 886,9 mil foram realizadas por tempo determinado.
Dinâmica sazonal e disparidades regionais
O crescimento registrado no início de 2026 reflete, em parte, o comportamento sazonal característico do mercado brasileiro, marcado pela retomada das contratações após o período de férias coletivas e recesso de fim de ano. Enquanto o setor público manteve um ritmo acelerado, o emprego privado teve um avanço mais moderado, com o número de celetistas passando de 47,6 milhões para 48 milhões no primeiro bimestre.
Regionalmente, o crescimento não foi uniforme. As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste lideraram os índices proporcionais de expansão, com altas de 4,16%, 3,27% e 2,70%, respectivamente. Em termos de volume absoluto de novas contratações, os estados de Minas Gerais e São Paulo ocuparam as posições de destaque, adicionando 271,2 mil e 148,5 mil vínculos ao mercado de trabalho formal.
Inclusão e diversidade no mercado formal
A composição da força de trabalho também apresentou mudanças relevantes, com maior participação feminina e de grupos historicamente sub-representados. O número de vínculos ocupados por mulheres atingiu 28,6 milhões, um crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior, elevando a representatividade feminina para 46,1% do total. Entre os homens, o crescimento foi de 2,7%, totalizando 33,5 milhões de postos.
O levantamento identificou ainda um avanço expressivo entre trabalhadores indígenas, pretos e pardos. A faixa etária dos jovens entre 18 e 24 anos também demonstrou dinamismo, com um aumento de 1,21 milhão de vínculos no período de 12 meses. Mais informações sobre a metodologia podem ser consultadas no portal da Agência Brasil.
Desafios na apuração dos dados salariais
Apesar da expansão dos vínculos, o Ministério do Trabalho identificou inconsistências nos registros de remuneração enviados pelas empresas. Embora o estoque de empregos tenha subido, a quantidade de registros com remuneração válida apresentou queda, passando de 55,26 milhões para 53,53 milhões. Por esse motivo, o governo optou por divulgar os dados salariais apenas até dezembro de 2025, enquanto aprofunda a análise das informações para futuras atualizações da Rais.




