O Brasil encerrou o ano de 2025 com um saldo positivo no mercado de trabalho, registrando um aumento de 5% no estoque de empregos formais em comparação com o ano anterior. Este crescimento consolidou um total de 59,971 milhões de trabalhadores com vínculo empregatício formal no país, um indicativo da resiliência e da recuperação econômica em diversas frentes.
Os dados, compilados e divulgados pela Relação Anual de Informações Sociais (Rais) do Ministério do Trabalho e Emprego, oferecem um panorama detalhado da composição desse universo de trabalhadores. A análise aponta para uma distribuição entre diferentes regimes de contratação e destaca os setores e regiões que mais contribuíram para essa expansão.
Empregos formais: panorama nacional e composição
A força de trabalho formal brasileira em 2025 foi predominantemente composta por trabalhadores celetistas, que somaram 46,128 milhões de vínculos. Além destes, 12,657 milhões de estatutários e 1,186 milhão de trabalhadores em organizações sem fins lucrativos, sindicatos e pessoa física rural, entre outros, complementam o estoque total. Essa diversidade reflete a complexidade e a abrangência do mercado de trabalho nacional.
A divulgação da Rais, realizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, é um evento anual que fornece informações cruciais sobre o cenário de empregos formais e estabelecimentos no Brasil. Segundo os dados, o número de estabelecimentos com empregados também acompanhou a tendência de crescimento, passando de 4,7 milhões para 4,8 milhões, o que representa uma alta de 2,1%.
Setor de serviços lidera a expansão de vagas
O setor de serviços se destacou como o principal motor do crescimento do estoque de empregos em 2025, contribuindo com 35,695 milhões de vagas e registrando uma impressionante alta de 7,2% em relação a 2024. Este desempenho sublinha a importância crescente do setor terciário na economia brasileira e sua capacidade de gerar novas oportunidades.
Outros setores também apresentaram crescimento, embora em menor intensidade. O comércio e a indústria registraram um aumento de 1,7% cada, totalizando 10,487 milhões e 9,017 milhões de empregos, respectivamente. A construção civil adicionou 2,57 milhões de vagas, com alta de 2,5%, enquanto a agropecuária contribuiu com 1,812 milhão de empregos, crescendo 1,6%.
Dentro do setor de serviços, a administração pública teve um crescimento notável de 15,2% no número de empregos, alcançando 1.483.555 vínculos. A maior parte dessa expansão ocorreu nos municípios, com 18,2% de aumento (1,182 milhão de vínculos), e nos governos estaduais, com 10,3% (408.018 vínculos). Houve também aumentos significativos na educação, com 6,2% (212.611 vínculos), e na saúde humana, com 4,2% (142.598 vínculos).
Remuneração média e o cenário econômico
Apesar do aumento no estoque de empregos, a Rais também apontou uma ligeira queda na remuneração média dos trabalhadores formais. Em 2025, o valor médio chegou a R$ 4.434,38, representando uma redução de 0,5% em comparação com o ano anterior. Este dado sugere que, embora mais pessoas estejam empregadas, o poder de compra médio pode ter sido afetado.
Ao divulgar os números, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, comentou sobre os resultados, destacando o momento positivo do mercado de trabalho, apesar dos desafios macroeconômicos. Ele afirmou: “Apresentamos recentemente o menor índice de desemprego da história. Estamos num momento bom, apesar dos juros altos. Estamos no rumo certo. Poderíamos estar em uma situação melhor se não fossem os juros praticados.” O ministro ressaltou que, apesar do bom momento, os juros praticados impactam o potencial de melhora da situação.
Crescimento regional: nordeste e norte em destaque
A análise regional dos dados da Rais revela um crescimento do emprego formal distribuído por todo o país, com algumas regiões apresentando expansões mais intensas. As regiões Nordeste e Norte registraram os maiores crescimentos relativos, ambos com 10,1%. O Nordeste adicionou 1.076.603 vínculos, enquanto o Norte criou 354.753 novos empregos. A região Centro-Oeste também teve uma alta expressiva de 5,7%, com 322.513 vínculos.
Em termos absolutos, as regiões Sudeste e Sul também contribuíram significativamente para o aumento do estoque de empregos, com crescimentos de 2,9% cada. O Sudeste adicionou 807.240 vínculos e o Sul, 285.514. A distribuição do emprego formal, no entanto, permaneceu concentrada na Região Sudeste (47,4%), seguida pelo Nordeste (19,5%) e Sul (16,8%).
Entre as Unidades da Federação, o Amapá liderou o crescimento relativo com 20,5% (31.396 vínculos), seguido por Piauí (13,2% e 74.244 vínculos), Alagoas (13% e 81.633 vínculos) e Paraíba (12,9% e 103.278 vínculos). Em variação absoluta, São Paulo (2,3% e 357.493 vínculos), Bahia (9,7% e 266.035 vínculos), Minas Gerais (3,7% e 224.876) e Ceará (10,6% e 195.462 vínculos) foram os estados com maior número de novos empregos. Para mais detalhes sobre o mercado de trabalho, consulte a Agência Brasil.




