O Fundo Monetário Internacional (FMI) atualizou suas estimativas para a economia brasileira, projetando um crescimento de 2,2% para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. O dado consta no relatório Perspectivas da Economia Mundial, divulgado pela instituição na última segunda-feira (12).
A nova marca representa um ajuste em relação ao levantamento anterior, realizado em julho, que apontava um avanço de 2,4%. Para o ano de 2027, a expectativa também sofreu alteração, caindo de 2,2% para 1,9%. Mesmo com a revisão para baixo, a projeção do FMI permanece mais otimista do que as estimativas oficiais do governo e do mercado financeiro local.
O Ministério da Fazenda, por meio do Boletim Macrofiscal de setembro, trabalha com a expectativa de 2,0% de crescimento para 2026. Já o Boletim Focus, que reúne as projeções de instituições financeiras consultadas pelo Banco Central, é ainda mais cauteloso, prevendo uma alta de 1,85% para o mesmo período.
Impacto dos juros e cenário monetário
A análise do FMI destaca que o ritmo de crescimento brasileiro enfrenta barreiras importantes. Entre os fatores citados pelos técnicos da instituição estão as condições monetárias restritivas, a redução de estímulos fiscais e a persistência de incertezas no cenário internacional.
A política de juros altos, utilizada pelo Banco Central para controlar a inflação, é apontada como um dos principais entraves. Embora a taxa Selic tenha iniciado uma trajetória de queda em março de 2026 — saindo de 15% para os atuais 13,75% ao ano —, o custo do crédito ainda é visto como um limitador para o consumo das famílias e para novos investimentos produtivos.
Inflação e mercado de trabalho
Em relação à inflação, o FMI projeta que o Brasil encerre 2026 com um índice de 4,4%, caindo para 4,1% em 2027. Ambas as estimativas situam-se dentro da meta estabelecida pelo governo, que possui um teto de tolerância de 4,5%. O relatório alerta, contudo, que o encarecimento global de energia e alimentos pode pressionar os preços internos.
Quanto ao mercado de trabalho, a previsão do Fundo é de que a taxa de desemprego feche 2026 em 6,2%, com uma elevação para 6,8% no ano seguinte. O dado destoa dos números recentes do IBGE, que registrou, no trimestre encerrado em agosto, uma taxa de 5,3%, o menor patamar para o período desde o início da série histórica em 2012.
Produção de commodities
O Brasil também aparece no relatório do FMI como um player estratégico no mercado de commodities. Diante da instabilidade no Golfo Pérsico, que afetou o fluxo global de petróleo, o país foi citado como um dos produtores que ampliaram a oferta para compensar a crise no suprimento.
Por outro lado, o setor agrícola enfrenta desafios climáticos. O FMI observou que o preço do café, por exemplo, registrou alta de 8% entre março e agosto de 2026, reflexo de chuvas intensas em Minas Gerais que impactaram a colheita e a qualidade do produto. Saiba mais sobre as perspectivas globais no site oficial do FMI.





