O governo federal avalia implementar alterações no Programa Move Brasil, iniciativa voltada a oferecer linhas de crédito com juros reduzidos para motoristas de aplicativo e taxistas. Em vigor desde 27 de julho, o projeto busca facilitar a aquisição de veículos, mas enfrenta desafios para atingir o volume de adesão esperado pela equipe econômica, especialmente no setor privado.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, destacou que o governo mantém conversas constantes com instituições financeiras para compreender a baixa procura por parte dos bancos privados. Embora o programa ofereça garantias governamentais, a participação tem se concentrado majoritariamente em bancos públicos, como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal.
Ajustes estratégicos no Programa Move Brasil
Para ampliar a eficácia da medida, a equipe econômica analisa mudanças que vão além do aspecto legal. Entre as propostas em estudo, destaca-se o aprimoramento da integração de dados entre as plataformas de transporte e as instituições financeiras. O objetivo é facilitar a comprovação de renda dos trabalhadores, tornando o processo de concessão de crédito mais ágil e seguro para os bancos.
O programa permite atualmente o financiamento de veículos novos com valor de até R$ 150 mil, além de contemplar a compra de seminovos, motocicletas e bicicletas. Apesar de o desempenho atual estar abaixo das projeções iniciais, o governo considera que o volume de operações já realizadas é relevante e mantém o otimismo quanto à viabilidade de ajustes que tornem as condições mais atrativas.
Diálogo com o setor bancário e resultados
O ministro reforçou que o governo está aberto a ouvir as demandas das instituições financeiras para destravar o crédito. A estratégia envolve testar novos modelos de parceria que possam incentivar o apetite dos bancos privados pelo segmento. Segundo Durigan, o balanço geral dos programas de crédito lançados pelo governo é positivo, embora reconheça que o braço automotivo do Move Brasil ainda necessita de refinamento.
Além do transporte, a reunião no Palácio da Alvorada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abordou o desempenho de outras frentes de crédito, incluindo o Programa Desenrola e linhas de financiamento para o setor de transporte de carga e passageiros, como caminhões e ônibus.
Contexto de reciprocidade econômica
Durante o encontro, também foi discutida a aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica frente às tarifas de 37,5% impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. O governo brasileiro ressaltou que a abertura de um processo de análise não interrompe as negociações diplomáticas com Washington. A intenção é utilizar o mecanismo de reciprocidade com cautela, priorizando o diálogo e a proteção dos setores nacionais afetados.
A medida, baseada na Lei 15.122/2025, não implica em retaliação imediata, mas serve como base para consultas e avaliações de impacto. Paralelamente, o governo estuda ampliar o regime de drawback como parte do programa Brasil Soberano, visando reduzir tributos sobre insumos de exportação e mitigar os efeitos das barreiras comerciais internacionais.





