A antiga sede dos Correios, um dos edifícios históricos mais emblemáticos da região central do Rio de Janeiro, será levada a leilão nesta quinta-feira. Localizado na Rua Primeiro de Março, próximo à Praça XV, o imóvel será ofertado com um valor inicial de R$ 53,6 milhões. Este evento marca um ponto crucial no processo de reestruturação dos Correios e reacende discussões importantes sobre o futuro de bens tombados e sua inserção no rico conjunto histórico e cultural da capital fluminense.
A alienação do prédio, que ocorrerá exclusivamente pela internet, na plataforma da VIP Leilões, tem gerado expectativas e preocupações. Sua venda não apenas representa uma movimentação estratégica da estatal, mas também levanta questionamentos sobre a preservação da memória arquitetônica e a destinação de um espaço de valor inestimável para a cidade.
O Imóvel Histórico e o Processo de Alienação
O edifício em questão, com cerca de 9 mil metros quadrados de área construída e um terreno de aproximadamente 1.585 metros quadrados, ocupa um quarteirão estratégico delimitado pelas ruas Primeiro de Março, do Rosário, Visconde de Itaboraí e Travessa Tocantins. Concebido ainda no período imperial e ampliado ao longo dos anos, o imóvel integra a paisagem de uma área que historicamente concentrou atividades administrativas, comerciais e financeiras da antiga capital brasileira.
Os Correios informaram que o leilão faz parte de uma revisão de sua carteira imobiliária e integra o plano de reestruturação da estatal. A racionalização de ativos ociosos ou subutilizados, segundo a empresa, contribui para a redução de despesas de manutenção e viabiliza o reinvestimento em modernização, além de apoiar o processo de reequilíbrio financeiro. O lance inicial previsto é de R$ 53,6 milhões, podendo cair para R$ 47,8 milhões em etapas subsequentes, caso não haja arrematação.
A Proteção do Patrimônio e os Desafios da Venda
Inserido no conjunto arquitetônico da Praça XV, tombado em nível federal, o prédio dos Correios está próximo de marcos como o Paço Imperial, a Igreja da Candelária, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e o Centro Cultural França-Brasil. A presidente em exercício do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU/RJ), Isabel Rocha, esclarece que o tombamento protege as características do edifício, mas não impede a transferência de propriedade.
Um imóvel tombado pode ser vendido, alugado ou cedido, mantendo-se a propriedade de pleno direito. Contudo, o proprietário não pode demolir ou descaracterizar o bem e deve obter autorização dos órgãos responsáveis pela preservação antes de realizar qualquer intervenção. A preocupação do CAU/RJ reside principalmente no uso que poderá ser dado ao imóvel após o leilão e no impacto sobre a paisagem histórica da região.
O Papel dos Órgãos de Preservação e as Responsabilidades do Comprador
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) informou que não interfere na transferência da propriedade ou da posse de bens tombados, pois não tem competência para atuar nessa temática. Para a autarquia, a identidade do proprietário é indiferente. A responsabilidade pela integridade e manutenção do imóvel permanece com o proprietário, independentemente de eventual mudança de titularidade.
O comprador do imóvel deverá registrar a transferência no Cartório de Registro de Imóveis e comunicar a mudança de propriedade ao Iphan no prazo de até 30 dias. O instituto destaca que a edificação possui características dos antigos “palácios dos Correios” e se tornou um marco urbano da Rua Primeiro de Março. Eventuais projetos de adaptação do edifício a um novo uso também terão de observar as exigências dos órgãos de proteção do patrimônio, sendo necessária licença prévia para qualquer obra.
Para mais informações sobre o processo de reestruturação dos Correios, acesse a Agência Brasil.





