A Petrobras iniciou uma estratégia robusta para reduzir a dependência externa do agronegócio brasileiro ao retomar a operação de suas fábricas de fertilizantes. Com o objetivo de suprir 35% da demanda nacional por insumos nitrogenados, a estatal busca fortalecer a soberania produtiva do país, que atualmente importa entre 85% e 90% dos fertilizantes que utiliza em suas lavouras.
O anúncio foi formalizado durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à fábrica de fertilizantes nitrogenados na Bahia (Fafen), localizada em Camaçari, na região metropolitana de Salvador. O evento contou com a presença da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues.
Estratégia de expansão e retomada produtiva
A unidade baiana, que passou cerca de seis anos em estado de hibernação, foi reativada em janeiro de 2026 após um investimento de R$ 100 milhões. A planta possui capacidade para produzir 1,3 mil toneladas diárias de ureia, suprindo aproximadamente 5% da necessidade do mercado interno. Além do impacto produtivo, a iniciativa gerou 900 empregos diretos e cerca de 2,7 mil postos de trabalho indiretos na região.
A estratégia da companhia abrange um plano nacional que inclui a reabertura da Fafen em Laranjeiras, Sergipe, e da unidade da Araucária Nitrogenados S.A. (Ansa), na região metropolitana de Curitiba. O cronograma de expansão é complementado pela construção da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, com operação prevista para 2029.
Soberania agrícola e redução da vulnerabilidade
O Brasil, reconhecido como o segundo maior produtor de alimentos do mundo, enfrenta um desafio estrutural ao ser o quarto maior consumidor global de fertilizantes. A alta dependência de importações é apontada por especialistas como uma vulnerabilidade crítica para a segurança alimentar e a competitividade do setor agropecuário.
Segundo a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, a integração das quatro unidades fabris permitirá que a estatal alcance a meta de 35% de participação no mercado de nitrogenados. A produção utiliza o gás natural como matéria-prima principal, aproveitando a expertise logística e a capacidade de processamento da própria companhia. Mais informações sobre o setor podem ser acompanhadas através da Agência Brasil.
Debate sobre o papel da Petrobras na indústria
Durante o evento, o presidente Lula defendeu a reindustrialização do país e criticou a alienação de ativos públicos realizada em gestões anteriores. O mandatário destacou que a produção interna, embora possa apresentar custos distintos da importação, promove o desenvolvimento tecnológico, a qualificação da mão de obra e a geração de renda interna.
O discurso também abordou a privatização da BR Distribuidora, ocorrida entre 2019 e 2021. O presidente argumentou que a venda da subsidiária retirou da Petrobras ferramentas estratégicas para influenciar a distribuição e o equilíbrio de preços dos combustíveis. O governo sinalizou o interesse em fortalecer a presença da estatal em elos essenciais da cadeia produtiva, buscando maior autonomia para o país.




