O setor de serviços no Brasil apresentou uma retração de 0,4% em maio, frustrando as expectativas do mercado financeiro, que projetava estabilidade ou leve crescimento. O resultado, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), reflete um momento de oscilação na economia nacional, após o setor ter registrado alta de 1,1% no mês de abril.
Apesar da queda mensal, o cenário de longo prazo ainda aponta para uma trajetória de resiliência. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, houve um crescimento de 0,4%, enquanto o acumulado de janeiro a maio de 2026 registra uma expansão de 1,9%. No entanto, o ritmo de crescimento em 12 meses desacelerou para 2,6%, ante os 2,9% observados no mês anterior.
Impacto do recuo nos transportes
O desempenho negativo foi fortemente influenciado pelo segmento de transportes, serviços auxiliares e correios, que possui o maior peso na composição do índice, representando 33,67% do total. O setor de transportes registrou uma queda de 1% em maio, impactado diretamente pela redução na receita de empresas de transporte aéreo de passageiros e de logística de cargas.
O transporte de passageiros apresentou um recuo de 1,3%, enquanto o transporte de cargas teve uma variação negativa de 0,2%. Segundo analistas do IBGE, essa retração foi o principal vetor para o resultado global do setor de serviços, sobrepondo-se aos desempenhos positivos em outras áreas de atividade.
Desempenho setorial e serviços às famílias
Enquanto o transporte puxou o índice para baixo, outros segmentos apresentaram variações distintas. Os serviços profissionais, administrativos e complementares cresceram 2%, demonstrando uma demanda contínua por suporte corporativo. Por outro lado, o grupo de “outros serviços” recuou 1,9%, e os serviços prestados às famílias tiveram uma leve queda de 0,2%.
Apesar da pequena oscilação mensal, o segmento de serviços às famílias mantém um patamar histórico elevado, atingindo o maior nível desde dezembro de 2014. Esse comportamento é sustentado por indicadores macroeconômicos favoráveis, como a taxa de desemprego em níveis baixos, a massa de rendimentos elevada e o controle da inflação, que preservam o poder de compra do consumidor.
Atividades turísticas e contexto histórico
O índice de atividades turísticas (Iatur) também acompanhou a tendência de queda, recuando 0,4% em maio. Mesmo com esse resultado, o setor de turismo permanece 10,8% acima do patamar pré-pandemia de covid-19. O Iatur engloba 22 atividades essenciais, incluindo hotelaria, agências de viagens e transporte aéreo.
Atualmente, o setor de serviços como um todo encontra-se 19,6% acima do nível registrado em fevereiro de 2020. Embora esteja 0,5% abaixo do seu recorde histórico, alcançado em outubro de 2025, a atividade econômica no setor demonstra uma recuperação consolidada após os desafios impostos pela crise sanitária global.





