As recentes medidas tarifárias adotadas pelo governo dos Estados Unidos impactam diretamente US$ 6,6 bilhões em produtos exportados pelo Brasil. Segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a sobretaxa acumulada de 37,5% incide sobre 16,5% do total das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano.
O cenário de restrições comerciais é resultado da combinação de duas frentes de investigação distintas. A medida afeta setores variados da economia nacional, incluindo máquinas, equipamentos, madeira, calçados, móveis e confecções, elevando o custo de entrada desses itens nos Estados Unidos.
Impacto das tarifas sobre o comércio bilateral
A alíquota de 37,5% é formada pela soma de uma tarifa de 25%, anunciada anteriormente, com uma nova sobretaxa de 12,5% revelada recentemente. De acordo com o Mdic, as novas medidas tarifárias abrangem, ao todo, 23,1% das exportações brasileiras para o país. Enquanto uma parcela significativa permanece sob as regras da Seção 232, outros produtos seguem isentos, como café, carnes, aeronaves e suco de laranja.
Mecanismos de retaliação comercial
Grande parte das restrições fundamenta-se na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974. Este dispositivo permite que Washington investigue práticas comerciais consideradas injustas ou discriminatórias. O Brasil foi alvo de duas apurações: uma específica sobre práticas comerciais e outra relacionada ao combate ao trabalho forçado, que resultou na aplicação da alíquota de 12,5% a diversos parceiros globais.
Paralelamente, a Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962 continua vigente para setores como aço e alumínio. Diferente da Seção 301, este mecanismo foca em questões de segurança nacional e impõe tarifas setoriais aplicadas de forma abrangente a quase todos os parceiros comerciais, sem acumular com as novas sobretaxas impostas pela Seção 301.
Desaceleração do fluxo comercial
O endurecimento das tarifas ocorre em um momento de retração nas trocas comerciais entre as duas nações. Após atingir o pico de US$ 40,4 bilhões em 2024, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram para US$ 37,7 bilhões em 2025. No primeiro semestre de 2026, a tendência de queda se manteve, com uma redução de 13% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Os setores de petróleo bruto e produtos semiacabados de ferro e aço registraram os recuos mais expressivos. Com essa dinâmica, a participação dos Estados Unidos na pauta exportadora brasileira diminuiu, refletindo um ambiente de maior incerteza e instabilidade nas condições de acesso ao mercado norte-americano.





