O Tribunal de Contas da União (TCU) emitiu um alerta formal ao governo federal sobre a sustentabilidade financeira da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Em decisão unânime tomada na quarta-feira (22), o plenário do tribunal destacou que a atual estrutura de universalização do serviço postal impõe riscos significativos às contas públicas, exigindo a implementação de mecanismos de compensação mais transparentes.
A auditoria, relatada pelo ministro Benjamin Zymler, aponta que a ausência de um modelo de custeio estruturado para as obrigações da estatal fragiliza sua saúde financeira. Sem uma estratégia clara, a União permanece exposta à necessidade de aportes recorrentes para cobrir o déficit operacional da empresa.
Impacto financeiro da universalização postal
O levantamento realizado pelo tribunal revelou que o custo para manter a universalização do serviço postal atingiu a marca de R$ 4,6 bilhões no ano de 2024. Segundo o relator, esse montante possui uma magnitude comparável a políticas públicas essenciais, como o Programa Farmácia Popular e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
O ministro ressaltou que, embora o valor seja relevante para o orçamento, a falta de uma previsão orçamentária específica para compensar a estatal gera um desequilíbrio crônico. Essa situação compromete a capacidade de pagamento da empresa e amplia a exposição da União, que atua como garantidora em operações de crédito.
Garantias da União e reestruturação da estatal
A preocupação do TCU ganha contornos mais críticos diante do histórico recente de endividamento da companhia. Em dezembro de 2025, o Tesouro Nacional autorizou um empréstimo de R$ 12 bilhões para viabilizar a reestruturação financeira dos Correios, contando com garantias do governo federal.
Para tentar reverter o cenário de prejuízo, a direção da empresa tem adotado medidas severas de contenção de despesas. Entre as ações implementadas estão o fechamento de unidades de atendimento e a abertura de programas de desligamento voluntário para reduzir a folha de pagamento. Até o momento, a administração dos Correios optou por não se manifestar sobre as recomendações apresentadas pelo tribunal.





