Erika Hilton descarta negociação sobre compensações na PEC da escala 6×1
A deputada federal Erika Hilton (PSol-SP) reafirmou nesta quarta-feira (20) a postura intransigente do governo em relação a possíveis contrapartidas para a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa encerrar a escala de trabalho 6×1. Segundo a parlamentar, não haverá espaço para negociações que envolvam desoneração da folha de pagamento ou medidas que resultem no aumento da jornada de trabalho dos brasileiros.
A declaração foi concedida durante o programa Alô Alô Brasil, transmitido pela Rádio Nacional. Hilton enfatizou que o objetivo central da proposta é garantir um dia adicional de descanso ao trabalhador, sem que isso implique em concessões que desvirtuem o propósito original da medida legislativa.
Limites da articulação política e o papel do empresariado
Ao abordar as pressões de setores do Congresso, a deputada destacou que o governo pretende manter o foco na essência da proposta. Ela argumentou que o pequeno empreendedor não é o responsável pelo movimento de resistência que busca prolongar a transição da jornada ou elevar a carga horária para 52 horas semanais.
Para a parlamentar, a articulação política atual deve se concentrar em pontos específicos que permitam uma transição segura. Ela mencionou a possibilidade de trabalhar com isenções tributárias pontuais e o fortalecimento de convenções coletivas como caminhos viáveis para regulamentar a mudança sem gerar prejuízos setoriais.
Impactos econômicos e a visão do Dieese
A parlamentar refutou categoricamente a ideia de que a redução da jornada de trabalho possa causar danos à economia nacional. Pelo contrário, ela sustentou que a medida pode impulsionar o mercado de trabalho brasileiro.
Citando dados do Dieese, a deputada afirmou que a implementação da nova escala tem potencial para gerar mais de 3 milhões de novos postos de trabalho de forma imediata. Ela ressaltou que a redução da exaustão física e mental dos funcionários tende a elevar a produtividade e a lucratividade das empresas, ao diminuir erros operacionais e afastamentos por doenças.
O impasse das emendas parlamentares
O debate ganha contornos mais complexos com a apresentação de emendas que buscam flexibilizar a transição. Um exemplo notável é a proposta do deputado Sérgio Turra (PP-RS), que já obteve o apoio de 176 parlamentares. O texto sugere um prazo de até dez anos para que o fim da escala 6×1 entre em vigor após a promulgação da emenda.
A resistência de Erika Hilton a essas alterações sinaliza um embate direto com a oposição, que busca diluir o impacto da proposta original. O desenrolar dessa discussão permanece como um dos pontos centrais da agenda legislativa, enquanto o governo tenta manter a coesão em torno da pauta trabalhista.




