A consulta pública sobre a educação bilíngue de surdos no Brasil, uma modalidade escolar prevista na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), está em seus últimos dias, com encerramento previsto para este sábado. A iniciativa convida professores, gestores das redes públicas, profissionais da educação e a sociedade civil a contribuírem com propostas que moldarão o futuro do ensino para estudantes surdos em todo o país.
As contribuições colhidas são fundamentais para a elaboração das Diretrizes Nacionais da Modalidade Escolar de Educação Bilíngue de Surdos na Educação Básica. Este processo visa assegurar os direitos linguísticos, educacionais e culturais de um público-alvo diversificado, que inclui surdos, surdocegos, pessoas com deficiência auditiva sinalizantes, e aqueles com altas habilidades, superdotação ou outras deficiências associadas. A participação é realizada por meio da plataforma Brasil Participativo, acessível com o login do portal Gov.br, seguindo o edital de chamamento publicado pelo Conselho Nacional de Educação (CNE).
O Futuro da Educação Bilíngue de Surdos no Brasil
As novas diretrizes terão um papel crucial na integração e fortalecimento da Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos (PNEBS). O objetivo central é promover a equidade e o respeito às especificidades dos estudantes surdos, garantindo-lhes o direito a um ensino e aprendizagem de alta qualidade. Ao estabelecer um guia teórico robusto, as diretrizes capacitarão as redes de ensino de todo o país a estruturar, expandir e manter programas eficazes de educação bilíngue.
Este esforço é essencial para que as escolas possam aplicar na prática os princípios de uma educação verdadeiramente inclusiva. A iniciativa busca criar um ambiente educacional onde a comunicação e o aprendizado sejam acessíveis, valorizando a identidade e a cultura da comunidade surda e preparando os estudantes para o pleno desenvolvimento social e acadêmico.
Pilares Essenciais para o Ensino Inclusivo
O documento que compõe as Diretrizes Nacionais para a Educação Bilíngue de Surdos no Brasil estabelece normas claras para diversos pilares fundamentais. A Língua Brasileira de Sinais (Libras) é reconhecida como a língua primária de instrução, comunicação e ensino dentro do ambiente escolar, garantindo que os estudantes surdos tenham acesso direto ao conhecimento.
Paralelamente, a língua portuguesa é ensinada formalmente na modalidade escrita como segunda língua, promovendo a proficiência em ambos os idiomas. As diretrizes também enfatizam a criação de espaços que favoreçam a interação em Libras, a valorização da identidade e da cultura surda, e o uso contínuo de Libras pela comunidade escolar. Além disso, são abordadas a formação inicial e continuada de professores bilíngues e demais profissionais da educação, a produção de materiais didáticos e recursos pedagógicos específicos, e o fortalecimento de escolas e classes bilíngues, bem como escolas polo. Um aspecto fundamental é a promoção do envolvimento direto da comunidade surda no planejamento, execução e avaliação dessas políticas públicas.
Desafios Atuais e a Necessidade de Aprimoramento
Apesar dos avanços, o cenário atual da educação de surdos no Brasil ainda apresenta desafios significativos. O Censo Escolar de 2024 registrou 61.623 matrículas desse público na educação básica, mas os dados revelam carências importantes. Apenas 12% das redes de ensino dispõem de materiais pedagógicos adequados em Libras, e as provas em videolibras alcançam somente 1,31% dos estudantes.
Embora cerca de 51% das escolas possuam Salas de Recursos Multifuncionais, ainda há uma notável carência de apoio bilíngue especializado. A formação de profissionais também é um ponto crítico, com apenas 2.501 professores possuindo formação continuada em Educação Bilíngue de Surdos. Esses números sublinham a urgência de fortalecer políticas públicas que garantam os direitos linguísticos, educacionais e culturais desses estudantes, promovendo a qualificação das redes de ensino e a efetivação da modalidade em todo o país.





