O debate sobre os efeitos das tecnologias digitais na saúde mental dos estudantes tornou-se uma prioridade no ambiente escolar brasileiro. Segundo dados da pesquisa TIC Educação 2025, realizada pelo Cetic.br, oito em cada dez instituições de ensino fundamental e médio já incorporaram o tema em suas agendas. Esse avanço representa um crescimento de 18 pontos percentuais em relação ao ano anterior, consolidando uma mudança de postura frente aos desafios da era digital.
Crescimento do debate e engajamento escolar
A pesquisa, que ouviu 2.404 gestores de escolas públicas e particulares, revela que a conscientização sobre o uso de dispositivos eletrônicos ultrapassou as salas de aula. Em 2025, 75% dos diretores realizaram reuniões com responsáveis para discutir o uso de tecnologias, enquanto 86% promoveram diálogos com o corpo docente. O foco dessas conversas ampliou-se para incluir o uso crítico e responsável das ferramentas digitais e a implementação da educação midiática no currículo.
Desafios estruturais e desigualdades no acesso
Apesar da mobilização, a implementação de ações práticas enfrenta obstáculos significativos. Embora 65% das escolas desenvolvam atividades voltadas aos alunos, a eficácia dessas iniciativas é desigual, sendo mais frequente em áreas urbanas. Gestores apontam que a baixa participação das famílias e a escassez de materiais de apoio são os principais entraves, evidenciando que a educação digital exige políticas públicas estruturadas e suporte contínuo para superar disparidades regionais.
Gestão do uso de celulares e dispositivos
A política de restrição ao uso de celulares pessoais varia conforme o nível de ensino. Atualmente, 51% das escolas proíbem que os alunos levem aparelhos para o ambiente escolar, com maior rigor nas turmas de anos iniciais. Entre as instituições que permitem o dispositivo, o uso pedagógico é frequente, especialmente em regiões com menores índices de conectividade e acesso a computadores, onde o celular acaba suprindo a falta de outros recursos tecnológicos.
Adoção da inteligência artificial na gestão escolar
O levantamento trouxe, pela primeira vez, um mapeamento sobre o uso de inteligência artificial generativa na educação. Cerca de 53% dos gestores utilizam IA para tarefas administrativas e pedagógicas, como a criação de comunicados e a revisão de textos. Contudo, a ausência de diretrizes claras é um ponto de atenção: apenas 22% das escolas possuem guias de orientação sobre o uso desses sistemas, mesmo com 37% das instituições já permitindo que estudantes utilizem IA em suas atividades escolares.





