Em 5 de agosto de 1962, o mundo do cinema perdeu uma de suas figuras mais emblemáticas, Marilyn Monroe. Décadas após sua partida precoce, o público e a imprensa ainda buscam compreender os momentos finais da artista, que se tornou um ícone global. A narrativa oficial da polícia de Los Angeles, baseada em um telefonema crucial, oferece um vislumbre das frases que teriam sido proferidas pela estrela pouco antes de sua morte, adicionando uma camada de mistério ao seu trágico fim.
O legado de Marilyn Monroe transcende sua carreira cinematográfica, permeando a cultura pop e gerando um fascínio contínuo sobre sua vida pessoal e as circunstâncias de sua morte. A complexidade de sua trajetória, marcada por intensas lutas internas e uma imagem pública cuidadosamente construída, continua a ser objeto de estudo e admiração, mantendo viva a memória da mulher por trás do mito.
O Enigmático Adeus de Marilyn Monroe
O ator Peter Lawford foi uma das últimas pessoas a falar com Marilyn Monroe. Ele revelou aos investigadores as frases de despedida que a colega teria dito na madrugada de sua morte. Segundo Lawford, a atriz declarou: “Diga adeus a Pat, diga adeus a Jack e diga adeus a si mesmo, porque você é um cara legal”. Essa mensagem final era um adeus direcionado à esposa do ator, ao então presidente John F. Kennedy e ao próprio Peter.
Este telefonema se tornou um dos pilares da versão oficial sobre os eventos que culminaram na morte da estrela. A natureza das palavras, carregada de um tom de despedida, foi interpretada como um indício da intenção da atriz, embora a ambiguidade de seu significado continue a alimentar debates e teorias.
A Investigação e as Teorias Circulantes
O então chefe de polícia, Daryl Gates, utilizou as informações do telefonema para reforçar a narrativa de suicídio, buscando dissipar as diversas teorias de assassinato que circularam amplamente na imprensa por anos. O legista Theodore J. Curphey atestou que a causa da morte foi a ingestão rápida de altas doses de sedativos, corroborando a conclusão oficial.
No entanto, alguns detalhes levantaram questionamentos. O autor John Powell, em sua obra Arrancar máscaras! Abandonar papéis!, destaca um ponto crucial: a empregada encontrou o aparelho de telefone fora do gancho na manhã seguinte. Para Powell, esse detalhe sugere uma tentativa final e frustrada de comunicação por parte de alguém que se encontrava sozinho no quarto, adicionando uma camada de incerteza à versão oficial.
A Mulher por Trás do Mito: Fragilidade e Reflexões
A vida de Marilyn Monroe, interrompida aos 36 anos, foi marcada por uma infância complexa, com passagens por lares adotivos, o distanciamento do pai e as internações psiquiátricas da mãe. Por trás da imagem de símbolo sexual e estrela de cinema, existia uma mulher que lutava para encontrar equilíbrio e lidar com profundas questões pessoais, uma face que o público demorou a reconhecer.
A intimidade da artista foi revelada ao público em 2010, com o lançamento do livro Fragmentos, editado por Bernard Comment. A obra reuniu anotações pessoais e cartas que a atriz deixou para seu amigo Lee Strasberg, diretor do Actors Studio. Esses documentos expuseram os medos e a solidão que ela enfrentava desde a juventude, como noticiado pelo portal G1 na época.
Em seus escritos, Marilyn Monroe expressou a distância entre sua vida real e os holofotes. “Só! Estou só. Sempre estou, aconteça o que acontecer”, registrou em seu diário, revelando um sentimento de isolamento profundo. Ela também demonstrou consciência de que o mundo amava uma ilusão, escrevendo de forma reflexiva: “As pessoas me veem pelas telas do cinema e pensam que me conhecem. Na realidade, nem eu mesma me conheço”.
O Legado Eterno e a Preservação da Memória
Se estivesse viva, Marilyn Monroe completaria 100 anos em 2026. Sua morte precoce, no auge de sua fama, não impediu que ela dominasse a cultura pop mundial e se tornasse um ícone atemporal. As correspondências da atriz também documentam momentos de extrema fragilidade, como sua internação na Clínica Psiquiátrica Payne Whitney, em Nova York, onde enviou bilhetes suplicantes a Lee Strasberg e sua esposa, pedindo ajuda e relatando o medo de perder a sanidade. Mesmo em meio à crise, ela tentava manter o foco na arte, anotando em seus cadernos que astros como Greta Garbo e Charlie Chaplin também atuavam enquanto enfrentavam fases depressivas.
A luta pela preservação de sua memória se estende até os dias atuais, com a batalha judicial pela última morada da estrela. Em Los Angeles, a Justiça dos Estados Unidos proibiu a demolição da casa onde Marilyn Monroe passou seus últimos meses. O casal Roy Bank e Brinah Milstein, que comprou a propriedade em 2023 por US$ 8 milhões, tinha o objetivo de demolir o antigo bangalô para erguer uma mansão moderna no terreno, mas a decisão judicial visa proteger este importante patrimônio histórico e cultural. Para mais detalhes sobre a decisão, clique aqui.




