A teledramaturgia venezuelana perdeu uma de suas figuras mais emblemáticas. A atriz Chelo Rodriguez, reconhecida por sua participação na primeira versão da novela A Usurpadora, exibida pela RCTV em 1971, faleceu aos 84 anos. A notícia foi confirmada oficialmente na noite de quinta-feira, 13.
Nascida na Galícia, na Espanha, Consuelo Rodriguez Álvarez consolidou sua trajetória artística na Venezuela, país para onde se mudou ainda na adolescência. Antes de se tornar um rosto conhecido na televisão, ela iniciou sua carreira profissional como modelo em Caracas, onde construiu as bases para sua ascensão no cenário artístico local.
Trajetória artística e legado na televisão
Ao longo de décadas de dedicação à atuação, Chelo Rodriguez protagonizou obras fundamentais da dramaturgia venezuelana. Em 1977, ela assumiu o papel principal na novela Rafaela, consolidando seu nome como uma das atrizes mais requisitadas da época. Seu currículo inclui participações em produções de sucesso como María del Mar, de 1978, La Revancha, de 1989, e Engañada, de 2003.
Luta contra a saúde e afastamento das telas
Nos últimos dez anos, a atriz esteve afastada dos holofotes devido a um diagnóstico de esclerose lateral amiotrófica (ELA). A doença neurodegenerativa, que causa perda progressiva de força muscular e compromete a autonomia física, impactou severamente a rotina da artista. Segundo informações do portal Meridiano, o quadro clínico de Chelo se agravou nos anos recentes, exigindo cuidados intensivos.
Além da ELA, a atriz enfrentava um tratamento contra o câncer, iniciado em março deste ano. Mesmo diante da fragilidade de sua condição, ela manteve uma postura otimista. Em um vídeo divulgado pela instituição IDACA no primeiro semestre, a atriz expressou confiança em sua recuperação, declarando: “Sei que vou superar isso”.
A relevância histórica de A Usurpadora
Embora o público brasileiro tenha maior familiaridade com a versão de 1998, a produção de 1971, na qual Chelo Rodriguez atuou, detém um valor histórico inestimável. Foi a primeira adaptação televisiva da obra da escritora cubana Inés Rodena, estabelecendo o arquétipo das gêmeas com identidades trocadas que se tornaria um fenômeno global. A novela, gravada em preto e branco, contou com cerca de 300 capítulos e abriu precedentes para diversas releituras posteriores, incluindo as famosas produções mexicanas que marcaram gerações.





