O ator Mouhamed Harfouch, aos 48 anos, vive um momento de plena liberdade criativa. Prestes a estrear uma nova temporada do monólogo Meu Remédio em São Paulo, o artista consolida um projeto que, além de ser um sucesso de público com cerca de 100 apresentações e mais de 20 mil espectadores, tornou-se um pilar fundamental em sua trajetória pessoal e profissional.
O espetáculo, que nasceu de memórias íntimas e questões de identidade, superou o receio inicial do autor em expor sua história. Segundo Harfouch, a conexão estabelecida com a plateia transformou o medo em uma experiência de troca profunda, servindo como um suporte emocional durante os últimos dois anos de sua vida.
Humor como ferramenta de superação
Embora o monólogo aborde temas densos como família e pertencimento, o humor é o fio condutor da montagem. Para o ator, a comédia não é apenas um recurso cênico, mas uma verdadeira tábua de salvação que utiliza para filtrar os acontecimentos cotidianos.
Essa faceta cômica, que o público reconhece de trabalhos como Pé na Jaca e Rensga Hits!, reflete sua forma de lidar com o mundo. Ao reproduzir trejeitos e vozes em cena, ele reafirma o riso como um espaço de prazer e resistência em sua carreira.
Conexão entre origens e personagens
Ao revisitar sua trajetória, Harfouch percebe que os papéis que interpretou ao longo dos anos, como Pérsio em Viver a Vida e Ali em Órfãos da Terra, prepararam o terreno para a criação de Meu Remédio. O espetáculo funciona, portanto, como um agradecimento ao teatro pelas ferramentas que lhe permitiram compreender sua própria ancestralidade.
A transição da ficção para o relato autobiográfico permitiu que o ator explorasse, sem filtros, a importância de saber de onde se vem. Esse processo de autoconhecimento é o que ele define como o grande diferencial desta fase de sua vida artística.
Diversificação e autonomia na carreira
Atualmente, o ator equilibra o teatro com uma agenda intensa em outras plataformas, incluindo projetos como Viver de Vento, Emmanuel e a série Delegacia de Homicídios, da Disney+. A diversidade de gêneros e veículos, que antes gerava receio de ser rotulado, hoje é celebrada como uma oportunidade de contar histórias potentes.
Assumir as funções de autor, ator e produtor trouxe a autonomia necessária para gerir essa multiplicidade de compromissos. Embora a carga de trabalho seja elevada, ele destaca que a liberdade de organizar a própria agenda é o que permite manter o equilíbrio entre a vida profissional e a dedicação à família, prioridade que ele preserva mesmo em meio à rotina agitada.





