A atriz Regina Duarte alcança uma marca histórica em sua trajetória profissional ao completar seis décadas de dedicação à arte. Para celebrar o marco, que antecede a chegada de seus 80 anos, a artista retorna aos palcos em um projeto especial: a peça A Filha da…, na qual contracena com sua filha, Gabriela Duarte.
O espetáculo explora a dinâmica familiar ao colocar mãe e filha para interpretar personagens que espelham, em certa medida, a relação real entre as duas. Segundo Regina, o entusiasmo pelo trabalho continua intacto. “Continuo tendo sede de tablado”, afirma a veterana, destacando a sintonia que mantém com Gabriela durante as apresentações.
Gabriela Duarte, por sua vez, ressalta que a parceria profissional é facilitada pela conexão pessoal. “Sempre foi muito prazeroso e confortável estar ao lado dela em qualquer trabalho. A gente tem uma coisa no olhar, sabe o que a outra está pensando”, comenta a atriz. O diretor da montagem, Darson Ribeiro, observa que a troca entre as duas é intensa, com ambas compartilhando processos criativos de forma colaborativa.
Reflexões sobre trajetória e polêmicas
Ao analisar sua longa carreira, Regina Duarte demonstra serenidade e afirma não sentir arrependimentos. Sobre as controvérsias que enfrentou, especialmente no campo político, a atriz mantém uma postura firme. “Até as expressões sobre a política que angariaram antipatias eu dou validade. Seria insuportável ser uma ‘namoradinha’ com unanimidade”, declarou.
Gabriela Duarte também aproveitou para comentar sobre o rótulo de “nepobaby”, termo que ganhou força nas redes sociais. A atriz ressaltou que, em sua geração, a busca por espaço profissional exigia esforço e estudo constantes, independentemente da origem familiar. “Nunca quis esse rótulo de filha, claro que tenho orgulho, ela é minha mãe, mas sempre quis me apropriar do meu caminho”, pontuou.
O papel do humor na atualidade
A escolha pelo gênero de comédia nonsense para o novo espetáculo não foi por acaso. Para Regina, o humor funciona como uma ferramenta de alívio e uma forma de lidar com as complexidades da sociedade contemporânea. “Certas verdades, a meu ver, são aceitas melhor se embaladas no canal do absurdo”, explica.
Gabriela complementa que a peça oferece um respiro necessário diante da aceleração do cotidiano. “Estamos vivendo um momento nonsense, cada um acredita numa coisa. Acima de tudo, é o que gera nas pessoas: o riso, o humor”, conclui. Atualmente, Regina Duarte afirma que prioriza o teatro, deixando de lado o interesse por novelas ou cinema, focando sua energia na conexão direta com o público.





