Ícone do rádio brasileiro, o cantor e sanfoneiro Zé Béttio construiu uma trajetória marcada pela simplicidade e pelo forte vínculo com as raízes sertanejas. Embora tenha conquistado o público através dos microfones na capital paulista, o artista mantinha uma conexão profunda com o campo. Em Rinópolis, no Oeste de São Paulo, ele consolidou um patrimônio rural que servia como um verdadeiro santuário para ele e seus familiares.
As propriedades, que incluíam as fazendas Santa Rosa e Leonilda, ocupavam milhares de hectares. O local foi estruturado para oferecer privacidade e descanso, permitindo que o comunicador se afastasse da rotina agitada dos estúdios. Além do lazer, a área funcionava como uma unidade produtiva eficiente, integrando o cotidiano do artista ao agronegócio paulista.
A gestão das terras refletia o lado empreendedor de Zé Béttio. A propriedade em Rinópolis contava com pastagens para gado de corte e uma produção dedicada à apicultura. O mel extraído no local era motivo de orgulho para o radialista, que costumava presentear amigos e colegas de profissão com o produto, sempre acompanhado de conselhos sobre bem-estar.
Sons da natureza levados ao rádio
A fazenda também servia como fonte de criatividade para o trabalho profissional de Zé Béttio. O radialista costumava percorrer as matas e lagoas da propriedade com um gravador, capturando sons da fauna local, como o canto de pássaros e o coaxar de sapos. Esses registros eram levados aos estúdios em São Paulo e inseridos ao vivo em suas transmissões matinais.
Essa prática criava uma conexão autêntica com os ouvintes, transportando o público para o ambiente rural. A estrutura da fazenda, que contava ainda com uma capela histórica e vilas para funcionários, tornou-se o refúgio definitivo do artista após sua aposentadoria, oferecendo o sossego necessário longe dos holofotes.
Legado após a partida
O comunicador faleceu em 27 de agosto de 2018, aos 92 anos, em sua residência na capital paulista. Ele enfrentava complicações de saúde decorrentes de um AVC sofrido em 2016. Mesmo após sua morte, a ligação de Zé Béttio com o interior de São Paulo permanece preservada pela família, que mantém as propriedades em Rinópolis como um símbolo de sua trajetória e paixão pelo campo.





