O projeto “Papo de Mulher”, uma iniciativa do Centro de Referência Estadual de Atenção à Saúde do Idoso (Creasi), celebra uma década de existência em 2026 com o retorno de suas atividades. A iniciativa, que se consolidou como um espaço fundamental para o bem-estar das trabalhadoras da unidade, retoma sua programação com foco no fortalecimento da saúde física, emocional e mental das mulheres que compõem seu quadro funcional.
Desde sua criação, o projeto tem desempenhado um papel crucial na promoção de um ambiente de trabalho mais humano e acolhedor, abordando temas relevantes para o universo feminino. A retomada das atividades neste ano marca um novo ciclo, reforçando o compromisso com o cuidado integral e a valorização profissional.
Uma década de apoio à saúde feminina no Creasi
Lançado em 2016, o “Papo de Mulher” surgiu da percepção da necessidade de criar um espaço permanente de escuta, reflexão e troca de experiências. Ao longo dos anos, a iniciativa tem sido um pilar na humanização do Sistema Único de Saúde (SUS), contribuindo diretamente para a saúde, o bem-estar e a qualidade de vida das profissionais.
A relevância do projeto é ampliada pelo perfil da força de trabalho do Creasi, onde as mulheres representam aproximadamente 80% dos profissionais, totalizando 142 trabalhadoras. Este cenário sublinha a importância de ações que promovam o cuidado integral e o suporte contínuo a essa parcela majoritária da equipe.
Desafios da mulher no ambiente profissional e o impacto na saúde
A conciliação entre as demandas da vida pessoal e profissional figura entre as principais fontes de estresse para as mulheres, conforme apontado por um estudo publicado em 2024 pelo Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (Elsa-Brasil). Essa realidade, que muitas vezes resulta na redução do tempo dedicado ao autocuidado e ao lazer, tem impactos diretos na saúde e no bem-estar feminino.
Nesse contexto, o “Papo de Mulher” se estabelece como uma estratégia essencial de valorização das trabalhadoras. O projeto já teve seu reconhecimento em eventos como a Mostra de Humanização e Saúde do Trabalhador do SUS-BA, e demonstrou resiliência ao passar por reestruturações e enfrentar os desafios impostos por períodos de crise, como a pandemia, sempre ampliando os debates abordados.
Ampliando o diálogo: sexualidade e autoconhecimento
A programação de 2026 do “Papo de Mulher” segue fortalecida, com encontros mensais dedicados a temas que permeiam as diversas fases e desafios da vida feminina. Um dos debates mais recentes trouxe à tona um assunto ainda cercado por tabus: a sexualidade feminina. O encontro, intitulado “Sexualidade Feminina: Autoconhecimento e Liberdade”, foi conduzido pela enfermeira e educadora sexual Ana Márcia Leal.
A atividade promoveu reflexões importantes sobre autonomia, prazer e autoconhecimento, incentivando as participantes a explorar e compreender melhor suas próprias experiências. A enfermeira Patrícia Paim, do Serviço Integral de Atenção à Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (Siast/Creasi) e responsável pelo projeto, enfatizou a necessidade de expandir esse diálogo.
Segundo Patrícia Paim, a iniciativa visa reforçar a importância de as mulheres reconhecerem seus desejos, necessidades e direitos, permitindo-se viver de forma mais plena. “A mulher, diante de tantas demandas e funções, acaba se anulando e colocando seus prazeres de lado para cuidar sempre do outro. É hora de virar a chave”, destacou a enfermeira, ressaltando o convite ao protagonismo feminino.
O futuro do projeto e o protagonismo feminino
Com o objetivo de incentivar o autocuidado, fortalecer a autoestima e estimular o protagonismo das participantes, o “Papo de Mulher” reafirma seu papel como um espaço de acolhimento, aprendizado e humanização. Os encontros futuros continuarão a explorar uma gama diversificada de tópicos, sempre com a meta de promover a valorização das mulheres que integram o Creasi e de contribuir para uma saúde feminina mais robusta e consciente.
A continuidade e a evolução do projeto demonstram o compromisso da instituição em oferecer um suporte contínuo e relevante, adaptando-se às necessidades e aos desafios contemporâneos enfrentados pelas mulheres no mercado de trabalho e na vida pessoal.




