A Rede Globo enfrenta um impasse jurídico após o lançamento de uma peça publicitária que utilizava inteligência artificial generativa para promover sua grade de filmes. A iniciativa, que buscava inovar na comunicação visual da emissora, resultou em uma notificação extrajudicial enviada por um dos estúdios de Hollywood detentores dos direitos autorais das obras retratadas no material.
O vídeo promocional, com pouco mais de dois minutos, apresentava uma fusão entre apresentadores da casa e ícones do cinema mundial. A repercussão negativa foi imediata, levando a emissora a retirar o conteúdo de circulação oficial, embora o material continue disponível em diversos perfis nas redes sociais.
Impactos da inteligência artificial na publicidade televisiva
A estratégia de marketing utilizou a tecnologia para inserir rostos conhecidos do público brasileiro em cenas clássicas. Entre as sequências, destacava-se a figura de Marcos Mion ocupando o lugar de Tom Cruise na franquia Missão Impossível. O clipe também contava com participações digitais de personalidades como Zendaya e Paul Rudd, além de personagens de animação e modificações em cenas de produções próprias da emissora.
A utilização de imagens de atores estrangeiros gerou um debate intenso sobre os limites éticos e legais da tecnologia. Muitos espectadores recordaram que a proteção da imagem contra manipulações por IA foi um dos pontos centrais da greve de atores de 2023, reforçando a sensibilidade do tema para a indústria cinematográfica global. A discussão sobre direitos autorais e o uso de ferramentas generativas permanece como um desafio jurídico para grandes empresas de mídia.
Histórico de controvérsias com tecnologias generativas
Esta não é a primeira vez que a emissora carioca enfrenta críticas pelo uso de recursos sintéticos em sua programação. Em agosto, uma homenagem exibida no programa Mais Você, que utilizou inteligência artificial para simular um encontro entre as atrizes Glória Menezes e Laura Cardoso, foi amplamente reprovada pelo público.
A audiência apontou a artificialidade do resultado final e a falta de sensibilidade na representação das artistas. Na ocasião, a semelhança visual da versão gerada por computador com outras personalidades, como a atriz Fafy Siqueira, gerou diversos comentários negativos nas redes sociais. Até o momento, a Rede Globo não emitiu um comunicado oficial detalhando a identidade do estúdio que enviou a notificação ou planos para novas estratégias utilizando a tecnologia.





