Mensagens alarmistas sobre o chamado golpe do Pix de R$ 0,01 voltaram a circular intensamente em redes sociais e aplicativos de mensagens. O boato sugere que criminosos teriam a capacidade de invadir dispositivos móveis ou subtrair dados bancários apenas pelo envio de uma microtransferência. No entanto, autoridades financeiras e especialistas em cibersegurança confirmam que a informação é falsa e que a transação, por si só, não compromete a segurança da conta.
O Banco Central (BC) e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) esclarecem que o sistema Pix não permite que o remetente acesse dados sensíveis ou controle o dispositivo do destinatário. O perigo real reside na engenharia social, técnica utilizada pelos golpistas para manipular a vítima após o envio do valor irrisório.
Engenharia social como ferramenta de fraude
O envio de R$ 0,01 funciona como uma etapa preparatória para o crime. Ao ver o valor no extrato, a vítima pode estranhar a movimentação, o que facilita o contato posterior do fraudador. O criminoso liga para o usuário, fingindo ser um funcionário de uma instituição financeira, e utiliza o registro da transferência como prova de credibilidade para convencer a pessoa a fornecer senhas ou realizar procedimentos sob pretexto de segurança.
A infraestrutura do Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT) já exibe informações básicas, como nome e banco, antes da conclusão de qualquer envio. Portanto, o golpista não necessita da transferência para validar a existência de uma chave. O depósito serve apenas para criar um registro real no extrato, aumentando a eficácia da abordagem psicológica que caracteriza a engenharia social.
Riscos associados ao vazamento de dados
A estratégia de envio de centavos é frequentemente cruzada com informações obtidas em vazamentos de dados e redes sociais. Segundo o Mapa da Fraude da Serasa Experian, o Brasil registrou quase 1,5 milhão de tentativas de fraude de identidade em poucos meses, com o setor bancário sendo o principal alvo. A combinação de dados pessoais vazados com a falsa autoridade do golpista torna a abordagem extremamente convincente para usuários desavisados.
Procedimentos de segurança e estorno
Para se proteger, o Banco Central orienta que os clientes nunca aceitem pedidos de devolução de valores por meio de chaves alternativas enviadas via chat ou telefone. Caso receba um valor desconhecido, o usuário deve utilizar exclusivamente o botão nativo de estorno disponível no aplicativo oficial do seu banco. Essa ferramenta garante que o recurso retorne à conta de origem de forma segura e auditável.
Se a vítima for enganada e fornecer dados, o Mecanismo Especial de Devolução (MED 2.0) é a solução recomendada. O sistema permite contestar a transação diretamente pelo autoatendimento, possibilitando o bloqueio cautelar dos fundos em contas intermediárias por até 11 dias. Embora o prazo para abertura do pedido seja de até 80 dias, a agilidade na notificação aumenta significativamente as chances de recuperação dos valores.





