A empresa de tecnologia Anthropic anunciou recentemente um avanço significativo no campo da inteligência artificial, com seu novo modelo, o Claude Mythos Preview, demonstrando uma capacidade inédita. A ferramenta conseguiu identificar falhas matemáticas intrínsecas em estruturas de algoritmos de criptografia, superando a limitação de modelos anteriores que se restringiam a detectar erros humanos na codificação. Desta vez, a IA encontrou defeitos na própria lógica das fórmulas que sustentam sistemas de segurança digital.
A principal vulnerabilidade exposta foi no HAWK, um sistema de assinatura digital que estava em fase de testes pelo governo dos Estados Unidos. O objetivo do HAWK era proteger dados contra futuros ataques quânticos, uma ameaça crescente no cenário da segurança cibernética. A descoberta do Claude Mythos Preview revelou um “padrão escondido” na matemática do projeto, que permitia reduzir a força das chaves de proteção pela metade. O processo de identificação dessa falha levou aproximadamente 60 horas de processamento autônomo e teve um custo estimado em US$ 100 mil em uso de servidores.
Retirada do projeto HAWK após a descoberta da IA
Após receber os dados detalhados da Anthropic, a equipe técnica responsável pelo sistema HAWK confirmou a existência do problema. Em uma mensagem enviada ao fórum oficial do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos EUA (Nist), o pesquisador Leo Ducas comunicou a decisão de retirar o projeto do processo de padronização. A vulnerabilidade encontrada pela inteligência artificial tornou o sistema inviável para competir com outras soluções de segurança.
Em sua declaração, Ducas afirmou: “Gostaríamos de agradecer à Anthropic por sua contribuição para a análise criptográfica do HAWK e por se comunicar conosco ao longo de todo o processo. Confirmamos que o ataque deles reduz aproximadamente pela metade o tamanho do bloco necessário para recuperar uma chave secreta. Abordagens simples para contornar isso tornariam o HAWK não competitivo. Como tal, retiramos nosso candidato HAWK do processo de padronização do NIST.”
Ataque teórico ao AES e a segurança de dados atual
Além da falha no HAWK, o Claude Mythos Preview também desenvolveu um “atalho” que poderia acelerar em até 800 vezes um ataque teórico contra o AES (Advanced Encryption Standard), um dos métodos de proteção mais utilizados atualmente para salvaguardar informações sensíveis como dados bancários, e-mails e aplicativos de mensagem. No entanto, a Anthropic esclareceu que essa descoberta é de natureza puramente acadêmica e não representa um risco imediato.
A tecnologia conseguiu quebrar apenas uma versão bastante simplificada do código AES, que possuía sete das dez camadas de proteção originais. Mesmo para este formato reduzido, o ataque exigiria que o invasor tivesse acesso prévio a um volume astronômico de dados, estimado em mais de 40 septilhões de mensagens de texto de teste. Tal volume de informações é inviável de ser obtido na prática, garantindo a segurança dos sistemas AES em funcionamento.
A eficiência da inteligência artificial na revisão de algoritmos
A Anthropic assegurou que nenhuma das descobertas representa um risco imediato para usuários ou para sistemas atualmente ativos na internet. A empresa destacou a notável rapidez do modelo de IA em comparação com a análise humana. Enquanto o HAWK passou por duas rodadas de revisão de especialistas humanos ao longo de dois anos, o Mythos conseguiu aprimorar o melhor ataque conhecido contra ele em apenas 60 horas de trabalho.
Em comunicado oficial, a empresa enfatizou o potencial da IA: “No longo prazo, esperamos que os modelos de linguagem desempenhem um papel importante nesse processo, o que deve resultar em revisões mais rigorosas e algoritmos mais seguros para todos”. O principal desafio do experimento, paradoxalmente, residiu no lado humano, pois dois pesquisadores da Anthropic dedicaram quase um mês inteiro à revisão das equações para validar a precisão dos achados da IA.
Em um contexto mais amplo de segurança digital, recentemente foi descoberta uma falha de nove anos no Linux que permite acesso total a servidores e sistemas corporativos, evidenciando a constante necessidade de vigilância e inovação na área.





