A Vivo e a Starlink, empresa de exploração espacial de Elon Musk, estão em estágio avançado de negociações para viabilizar a oferta de internet via satélite no mercado brasileiro. A colaboração estratégica visa integrar a infraestrutura de órbita baixa da companhia norte-americana à rede móvel da operadora, ampliando a cobertura de conectividade em áreas de difícil acesso.
As tratativas, que ganharam tração desde julho de 2024, focam na implementação da tecnologia conhecida como Direct-to-Device (D2D). O objetivo é permitir que smartphones convencionais estabeleçam comunicação direta com satélites, eliminando a necessidade de antenas externas ou equipamentos adicionais para o acesso a serviços básicos de rede em regiões remotas.
Integração tecnológica e o uso do Direct-to-Device
A tecnologia D2D funciona como uma ponte entre o dispositivo móvel do usuário e a constelação de satélites da Starlink. Diferente das redes 4G ou 5G tradicionais, que dependem de torres de transmissão terrestres, o sistema D2D exige uma linha de visada direta entre o aparelho e o céu, sem barreiras físicas que impeçam a recepção do sinal.
Embora a tecnologia não substitua a banda larga de alta velocidade em centros urbanos, ela se apresenta como uma solução vital para situações de emergência e comunicação em locais onde a infraestrutura convencional é inexistente. Relatos de usuários da Starlink já indicam a identificação de uma rede denominada “Vivo Starlink” em seus dispositivos, sinalizando testes preliminares de integração entre os sistemas.
Regulação e o papel da Anatel
O avanço desta parceria ocorre dentro das diretrizes estabelecidas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Em julho, o conselho diretor da agência determinou que a oferta de serviços D2D no país deve ser realizada obrigatoriamente por meio de parcerias com operadoras de telefonia móvel que possuam licenças de radiofrequência vigentes.
Essa exigência faz parte de um sandbox regulatório, um ambiente de testes controlado que permite a inovação sob supervisão. As empresas participantes têm o compromisso de reportar resultados técnicos à Anatel, garantindo que a implementação não cause interferências prejudiciais às redes móveis já estabelecidas no território nacional.
Perspectivas de mercado e concorrência
Até o momento, nem a Vivo nem a SpaceX emitiram comunicados oficiais confirmando os termos financeiros ou a data de lançamento comercial do serviço. A indefinição sobre o modelo de negócio — se a funcionalidade será incluída nos planos atuais ou cobrada como um serviço adicional, similar ao roaming internacional — permanece como um dos pontos de maior expectativa entre os consumidores.
O cenário competitivo também se movimenta, com operadoras como TIM e Claro mantendo diálogos com a SpaceX e outros provedores de satélites de baixa órbita. A corrida pela conectividade via satélite reflete a necessidade das operadoras de oferecerem cobertura universal, um desafio histórico para a geografia brasileira.





