Uma integrante do alto escalão do governo Donald Trump classificou como “censura” as recentes alterações implementadas pelo X, antigo Twitter, para cumprir a legislação eleitoral brasileira. A Subsecretária de Estado dos Estados Unidos para Diplomacia Pública, Sarah B. Rogers, manifestou sua discordância no último domingo (16), ao comentar uma publicação oficial da rede social sobre o ajuste em seus algoritmos de recomendação.
A controvérsia gira em torno da aplicação da Resolução nº 23.610/2019 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que impõe restrições à visibilidade de perfis de candidatos durante o período de campanha. Segundo a plataforma, a medida visa atender às exigências legais brasileiras para o pleito de 2026, gerando um novo debate sobre os limites da regulação digital e a liberdade de expressão.
Ajustes no algoritmo e impacto nas recomendações
As mudanças operacionais no X afetam diretamente a aba “Para Você”, espaço onde o algoritmo sugere conteúdos aos usuários. A empresa introduziu um filtro técnico, denominado “Brazil2026ElectionFilter”, que altera a forma como as publicações de candidatos são entregues ao público. Conforme a plataforma, o objetivo é reduzir o alcance orgânico de contas vinculadas a quem concorre a cargos públicos durante o período eleitoral.
Sob as novas diretrizes, as postagens desses perfis deixam de ser recomendadas para usuários que não seguem as respectivas contas. A rede social esclareceu que os perfis não foram suspensos e que o conteúdo continua acessível para os seguidores habituais. O código aberto do filtro foi disponibilizado no GitHub, permitindo que desenvolvedores e especialistas auditem o funcionamento da restrição imposta pelo tribunal brasileiro.
Tensões diplomáticas e histórico de embates
A declaração de Sarah B. Rogers insere-se em um histórico de tensões entre autoridades brasileiras e o governo dos Estados Unidos acerca da regulação de plataformas digitais. Desde 2024, o Judiciário brasileiro tem adotado medidas rigorosas para conter a disseminação de informações durante as eleições, o que frequentemente gera reações de integrantes da administração americana e de empresas de tecnologia.
O cenário de conflito não é novo. Em episódios anteriores, a rede social de Elon Musk enfrentou sanções severas, incluindo a suspensão temporária de suas atividades no Brasil por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Em 2025, o magistrado chegou a ser alvo da Lei Magnitsky, em uma demonstração da complexidade das disputas envolvendo soberania digital e decisões judiciais transnacionais.





