O senador Ciro Nogueira (PP-PI) tornou-se o centro de uma investigação conduzida pela Polícia Federal após a deflagração da quinta fase da Operação Compliance Zero, ocorrida na última quinta-feira, 7. O parlamentar, que já ocupou o cargo de ministro da Casa Civil, é suspeito de manter uma relação de favorecimento com o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, em troca de vantagens financeiras indevidas.
ciro: cenário e impactos
A aquisição do triplex e a conexão com o Banco Master
Documentos revelam que, em julho de 2024, o senador adquiriu uma cobertura triplex avaliada em R$ 22 milhões. O imóvel, localizado na prestigiada Rua Oscar Freire, na zona oeste de São Paulo, possui 514 metros quadrados e foi comprado diretamente da incorporadora RFM. A transação ocorreu apenas três meses após o parlamentar formalizar uma parceria comercial com o dono da instituição financeira.
A proximidade temporal entre a aquisição do bem de luxo e a atuação legislativa do senador chamou a atenção dos investigadores. Apenas 26 dias após a compra do imóvel, o parlamentar apresentou uma emenda à PEC nº 65/2023, que propunha o aumento do limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante, medida que atenderia diretamente aos interesses do Banco Master.
Investigações sobre suposta mesada e tráfico de influência
Segundo a Polícia Federal, a emenda apresentada pelo senador teria sido redigida pela própria assessoria do banco e protocolada integralmente pelo político no Senado. A suspeita é de que essa manobra legislativa fizesse parte de um esquema de contrapartida por benefícios econômicos recebidos pelo parlamentar.
As autoridades apontam que o senador recebia mensalmente valores entre R$ 300 mil e R$ 500 mil do banqueiro. Diante das evidências, a Justiça expediu mandados de busca e apreensão contra o político, visando aprofundar a apuração sobre a possível prática de crimes contra o sistema financeiro e tráfico de influência.
Defesa do senador e contexto político
Em resposta às ações da Polícia Federal, o senador utilizou suas redes sociais na última sexta-feira, 8, para negar qualquer irregularidade. O parlamentar, que é pré-candidato à reeleição, classificou a operação como uma forma de perseguição política motivada pelo seu desempenho favorável em pesquisas eleitorais.
O senador comparou o episódio atual a eventos ocorridos em 2018, alegando que tentativas de interromper sua trajetória política são recorrentes em períodos próximos ao pleito. Enquanto o inquérito segue em curso, a classe política observa os desdobramentos da operação, que também resultou na prisão de outros envolvidos, como o primo do dono do banco, Felipe Vorcaro.




