Terça-feira, 27 de outubro de 2026 08:12
Economia

Amcham alerta para riscos de retaliação comercial e defende diálogo com os EUA

Amcham defende evitar reciprocidade comercial contra tarifas dos EUA, alertando para riscos de custos elevados e escalada política.

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Amcham alerta para riscos de retaliação comercial e defende diálogo com os EUA
Pozzebom/ Agência Brasil

A Câmara Americana de Comércio no Brasil (Amcham) emitiu um posicionamento contundente, defendendo que o Brasil evite a adoção de medidas de retaliação em resposta às tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos. A entidade, que representa interesses de empresas de ambos os países, sublinha a importância de preservar o diálogo e as negociações de alto nível para mitigar os impactos das sobretaxas e prevenir uma escalada nas tensões comerciais.

A manifestação da Amcham surge em um momento crucial, após o governo federal brasileiro anunciar a abertura formal de um processo para avaliar a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica. Este movimento governamental visa verificar se as medidas tarifárias norte-americanas justificam uma resposta, conforme previsto na legislação brasileira, mas não implica uma decisão imediata de implementar contratarifas ou outras restrições.

Amcham apela por diálogo e moderação em disputa comercial

Diante da iminência de uma possível resposta recíproca, a Amcham enfatiza a necessidade de intensificar as conversas diplomáticas e comerciais entre Brasília e Washington. O objetivo primordial, segundo a entidade, é buscar soluções negociadas que possam reduzir as sobretaxas existentes e evitar a imposição de novas barreiras que possam prejudicar o intercâmbio bilateral.

A organização argumenta que a adoção de contramedidas pode acarretar sérios riscos. Entre eles, destacam-se o aumento dos custos para empresas e consumidores, a desestabilização de cadeias produtivas e a retração de investimentos. Além disso, a Amcham alerta para o perigo de uma escalada comercial e política, que poderia deteriorar as relações com os Estados Unidos e dificultar ainda mais a busca por um entendimento mútuo.

Análise governamental sobre a Lei da Reciprocidade Econômica

O governo brasileiro iniciou um processo formal de análise para determinar a viabilidade e a pertinência de acionar a Lei da Reciprocidade Econômica. Esta legislação permite que o Brasil responda a medidas comerciais restritivas impostas por outros países, buscando um equilíbrio nas relações comerciais internacionais. A abertura do processo, contudo, é uma etapa de avaliação e consulta, e não uma declaração de intenção de retaliação imediata.

Nesse contexto, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou que o governo ouvirá atentamente as vozes do setor empresarial, tanto brasileiro quanto estrangeiro. O objetivo é coletar percepções e análises sobre os potenciais impactos da aplicação da Lei da Reciprocidade antes de qualquer decisão final. Essa consulta é vista como um passo essencial para garantir que qualquer medida adotada seja equilibrada e estratégica.

Setor empresarial clama por equilíbrio na resposta

Uma pesquisa conduzida pela Amcham revelou que a vasta maioria das empresas — cerca de 90,5% — defende a priorização do diálogo diplomático e comercial com os Estados Unidos. Em contraste, apenas uma pequena parcela, aproximadamente 3,2%, manifestou apoio à adoção de medidas de reciprocidade. Esses dados reforçam a preferência do setor privado por soluções negociadas em detrimento de confrontos comerciais.

A Amcham reitera a importância de uma estratégia que combine equilíbrio, moderação e uma avaliação criteriosa de todos os impactos potenciais. A participação ativa do setor empresarial nesse processo decisório é considerada fundamental para assegurar que as escolhas do governo reflitam os interesses e as preocupações dos agentes econômicos envolvidos na relação comercial entre os dois países.

A entidade, que congrega empresas com forte interesse nas relações comerciais conjuntas entre Brasil e Estados Unidos, posiciona-se como uma voz representativa na defesa de um ambiente de negócios estável e previsível. A manutenção de canais abertos de comunicação e negociação é vista como o caminho mais eficaz para resolver as atuais divergências tarifárias e fortalecer os laços econômicos bilaterais.

Para mais informações sobre o processo de reciprocidade, consulte a Agência Brasil.

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