Desigualdade no mercado de trabalho brasileiro
A disparidade racial no acesso a postos de trabalho no Brasil atingiu patamares expressivos no primeiro trimestre de 2026. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada pelo IBGE, a taxa de desemprego entre pessoas pretas alcançou 7,6%, superando significativamente a média nacional de 6,1%.
Comparativamente, a população branca apresentou um índice de desocupação de 4,9% no mesmo período. Esse cenário resulta em uma taxa de desemprego para pretos que é 55% maior do que a observada entre os brancos, evidenciando um agravamento na comparação com o trimestre anterior, quando essa diferença era de 52,5%.
Disparidade entre pardos e brancos
O levantamento do instituto também detalha a situação da população parda, que enfrenta desafios semelhantes no mercado laboral. A taxa de desemprego para este grupo situou-se em 6,8%, o que representa uma desvantagem de 38,8% em relação aos trabalhadores brancos.
A série histórica da pesquisa demonstra que a desigualdade na ocupação é um fenômeno persistente. Desde o início do monitoramento, em 2012, as variações nas taxas de desocupação entre os grupos raciais oscilaram, mas mantiveram a tendência de disparidade em desfavor de pretos e pardos.
Fatores estruturais e informais
Para especialistas, como o analista William Kratochwill, a persistência dessas taxas aponta para uma questão de natureza estrutural. O fenômeno não pode ser atribuído isoladamente à cor da pele, mas sim a um conjunto de fatores que inclui o nível de instrução e a localização geográfica dos trabalhadores.
Além do desemprego, a informalidade atinge de forma desigual esses grupos. Enquanto a média nacional de informalidade é de 37,3%, o índice entre brancos é de 32,2%. Em contrapartida, pardos e pretos registram taxas de 41,6% e 40,8%, respectivamente, o que reflete uma maior exposição a ocupações sem garantias trabalhistas como férias, 13º salário e seguro-desemprego.
Recortes de gênero e idade
A Pnad Contínua também revela nuances importantes sobre gênero e faixa etária. O desemprego feminino, fixado em 7,3%, é 43,1% superior ao masculino, que registrou 5,1%. Contudo, a informalidade apresenta um comportamento inverso, sendo maior entre os homens, com 38,9%, frente a 35,3% entre as mulheres.
No recorte por idade, o grupo de 14 a 17 anos enfrenta a maior dificuldade de inserção, com uma taxa de desocupação de 25,1%. Em contraste, a população com 60 anos ou mais apresenta o menor índice de desemprego, 2,5%, refletindo uma fase da vida em que muitos trabalhadores optam pelo desligamento gradual do mercado produtivo.




