O mercado de trabalho brasileiro apresentou uma desaceleração significativa no mês de julho, conforme apontam os dados mais recentes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, foram criados 58.568 postos de trabalho com carteira assinada no período. O indicador, que reflete o saldo entre admissões e desligamentos, marca o resultado mais baixo para meses de julho desde o início da atual série histórica, em 2020.
O desempenho representa uma retração de 57,3% na comparação direta com junho, quando o país havia registrado a abertura de 137.044 vagas. Quando confrontado com o mesmo mês do ano anterior, a queda é ainda mais acentuada, atingindo 56,3%. Especialistas apontam que a combinação de juros elevados e a perda de ritmo da atividade econômica nacional tem exercido pressão sobre a capacidade de absorção de mão de obra pelas empresas.
Desempenho setorial e dinâmicas de contratação
A análise por ramos de atividade revela que quatro dos cinco setores monitorados mantiveram saldo positivo em julho. O setor de serviços liderou a geração de postos, com 24.098 novas vagas, impulsionado majoritariamente pelo segmento de transporte, armazenagem e correio, que abriu 18.150 postos. A área de saúde humana e serviços sociais também contribuiu positivamente, enquanto o setor de educação registrou um fechamento de 7.352 vagas.
A construção civil e a agropecuária seguiram com saldos positivos de 12.691 e 12.523 postos, respectivamente. Na indústria, o saldo foi de 11.315 vagas, com destaque para a fabricação de produtos alimentícios, que sozinha gerou 6.994 oportunidades. Em contrapartida, o comércio foi o único setor a apresentar resultado negativo, com o fechamento de 8.114 postos, comportamento que, segundo o governo, é sazonal para o varejo neste período do ano.
Panorama regional e o estoque de trabalhadores
Regionalmente, o cenário foi heterogêneo. O Sudeste liderou a criação de empregos com 21.668 postos, seguido pelo Nordeste, com 18.973. O Centro-Oeste e o Norte também registraram saldos positivos. Em contraste, a região Sul apresentou um saldo negativo de 628 vagas. Entre os estados, São Paulo destacou-se com a criação de 17.814 postos, enquanto Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Tocantins, Santa Catarina e Distrito Federal encerraram o mês com mais demissões do que contratações.
Apesar da desaceleração mensal, o estoque total de trabalhadores com carteira assinada no Brasil atingiu a marca de 48.082.866 pessoas ao final de julho. Este número representa um crescimento de 0,12% frente a junho e uma elevação de 1,02% em relação ao mesmo período de 2025. No acumulado dos sete primeiros meses de 2026, o país soma 972.203 novas vagas formais, volume 20,9% inferior ao registrado no mesmo intervalo do ano anterior.





