Indústria pressiona por acordo comercial para barrar tarifas americanas

indústria - CNI e entidades empresariais propõem agenda bilateral para evitar tarifas dos EUA e fortalecer a relação comercial entre os dois países.

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© Rafa Neddermeyer/ Agência Brasil
© Rafa Neddermeyer/ Agência Brasil

Diplomacia industrial busca evitar barreiras tarifárias

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), em conjunto com a Amcham e a U.S. Chamber, formalizou um pedido urgente às autoridades brasileiras e americanas para a preservação da relação comercial estratégica entre as duas nações. O movimento visa estabelecer uma agenda de negociação estruturada em duas etapas, com o objetivo central de impedir a aplicação de tarifas adicionais sobre exportações brasileiras e fortalecer os laços econômicos bilaterais.

O posicionamento das entidades surge em um momento de intensificação do diálogo diplomático, que ganhou tração após a reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, ocorrida em maio. O cenário é marcado pela investigação em curso no âmbito da Seção 301 da legislação americana, que coloca em alerta diversos setores da economia nacional.

Proposta de agenda para o comércio exterior

O documento, assinado pelas três instituições, foi endereçado a figuras-chave dos dois governos, incluindo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Elias Rosa, e o ministro das Relações Exteriores, embaixador Mauro Vieira. Do lado americano, a carta foi enviada ao representante de Comércio, embaixador Jamieson Greer, e ao secretário de Estado, Marco Rubio.

A estratégia proposta pelo setor privado segmenta as tratativas em ações de curto e longo prazo. A prioridade imediata é encontrar uma solução diplomática para a investigação da Seção 301, garantindo que produtos brasileiros não sejam penalizados com sobretaxas que poderiam comprometer a competitividade das empresas no mercado internacional.

Foco em setores estratégicos e cooperação regulatória

Para sustentar a parceria, as entidades sugerem a concentração de esforços em áreas de alto impacto econômico e tecnológico. Entre as demandas, destaca-se a busca por maior acesso a mercados para insumos industriais, bens de capital e tecnologias voltadas à segurança energética e infraestrutura de inteligência artificial.

A cooperação regulatória também figura como pilar central da proposta, visando facilitar o trânsito de produtos nos setores automotivo, farmacêutico e de dispositivos médicos. Além disso, o setor privado defende a extensão da moratória da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre a isenção de impostos para transmissões eletrônicas, garantindo previsibilidade ao comércio digital.

Inovação, propriedade intelectual e minerais críticos

O plano de ação inclui ainda o fortalecimento da propriedade intelectual, com pedidos de maior agilidade no exame de patentes e combate à pirataria. A proposta abrange, por fim, uma cooperação robusta sobre minerais críticos, focada em mapeamento geológico, investimentos em processamento e a criação de cadeias de suprimentos resilientes, além da implementação integral do Protocolo Anticorrupção do Acordo de Cooperação Econômica e Comercial (ATEC).

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