As taxas de juros elevadas permanecem como o maior obstáculo para a indústria brasileira na obtenção de financiamentos. De acordo com a Sondagem Especial 107, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o custo do dinheiro é o fator que mais afasta as empresas do acesso ao crédito bancário.
O levantamento ouviu 1.701 empresas de diversos portes entre os dias 3 e 12 de agosto. Os dados revelam que, nas operações de curto e médio prazo, 76% dos empresários apontam os juros como a principal dificuldade. No caso de financiamentos de longo prazo, o índice é de 69%.
Maria Virgínia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI, destaca que a queda na taxa básica de juros demora a chegar na ponta final. “A queda dos juros leva um tempo para se refletir no custo do crédito, que ainda chega bastante elevado para as empresas”, explica a especialista.
Outros entraves para o setor industrial
Além dos juros, as empresas enfrentam dificuldades adicionais na busca por recursos. A exigência de garantias reais foi citada por 33,4% das indústrias em operações de curto prazo e por 31,5% nas de longo prazo. A burocracia também aparece como um fator limitante para 13,6% dos consultados.
No segmento de longo prazo, o prazo de carência insuficiente foi apontado por 18,9% dos empresários como um problema relevante. Esses fatores, somados ao custo do capital, dificultam o planejamento de investimentos de longo prazo no país.
Frustração na busca por crédito
A pesquisa mostra que a taxa de frustração aumentou em comparação ao ano anterior. Entre as empresas que tentaram contratar ou renovar crédito, 24,7% não obtiveram sucesso em operações de curto e médio prazo, enquanto 37,2% falharam na tentativa de buscar recursos de longo prazo.
O cenário é mais desafiador para as empresas de menor porte. No crédito de longo prazo, quase metade das pequenas e médias indústrias (48,2% e 48,1%, respectivamente) não conseguiu acessar o financiamento desejado. Entre as grandes empresas, esse índice foi de 29,9%.
Uso do capital de giro
Um ponto de atenção levantado pela CNI é o destino dos recursos. Muitas indústrias estão utilizando linhas de longo prazo, que deveriam ser voltadas para investimentos em máquinas e expansão, para cobrir despesas operacionais.
Cerca de 28,7% das empresas que contrataram crédito de longo prazo direcionaram o montante para o capital de giro. Esse percentual supera o destinado a investimentos em maquinários (23,6%) e em construções (11,6%). Para mitigar esses problemas, os empresários sugerem que a redução de custos tributários e administrativos seria a medida mais eficaz para facilitar o acesso ao crédito.
Para mais detalhes sobre o cenário econômico, acesse o portal da Agência Brasil.





