A economia brasileira apresentou sinais de perda de fôlego ao encerrar o segundo trimestre de 2026. Segundo o Monitor do PIB, indicador produzido pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), o Produto Interno Bruto nacional registrou um crescimento de 0,3% no período entre abril e junho. O dado reflete uma desaceleração em comparação ao desempenho observado no início do ano, quando a economia havia avançado 1% no primeiro trimestre.
O levantamento detalha que, apenas na passagem de maio para junho, houve um recuo de 1,1% na atividade econômica. Apesar da oscilação negativa no último mês do trimestre, o resultado acumulado em 12 meses permanece positivo, situando-se em 1,8%. O estudo serve como um termômetro para as projeções oficiais que serão consolidadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 1º de setembro.
Desempenho setorial e o papel do consumo
A análise da FGV indica que a desaceleração foi disseminada entre os três grandes setores pesquisados: agropecuária, indústria e serviços. A coordenadora da pesquisa, Juliana Trece, ressalta que o consumo das famílias foi o único componente que não perdeu ritmo, mantendo a trajetória de crescimento observada nos meses anteriores.
O bom desempenho do consumo foi sustentado, em grande medida, pela demanda por serviços e por produtos duráveis. Embora a taxa de crescimento trimestral tenha sido mais modesta, o período marcou o 20º resultado positivo consecutivo, evidenciando uma resiliência da economia nacional diante de um cenário macroeconômico global e doméstico considerado desafiador.
Pressões macroeconômicas e o cenário de juros
O ambiente econômico atual é marcado por fatores que exercem pressão sobre o crescimento. Entre os elementos citados pela FGV estão a alta no preço do barril de petróleo, influenciada por conflitos no Oriente Médio, e o elevado nível de endividamento das famílias brasileiras. Além disso, a política monetária atua como um contraponto direto à expansão.
No início de agosto, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa básica de juros, a Selic, para 14% ao ano. A manutenção de juros em patamares elevados é uma estratégia adotada pela autoridade monetária para conter a inflação, embora o efeito colateral seja o encarecimento do crédito, o que tende a desestimular investimentos produtivos e o consumo de longo prazo.
Componentes da demanda e expectativas futuras
Os dados dessazonalizados do Monitor do PIB revelam que o consumo das famílias cresceu 2,6% no segundo trimestre em relação aos três meses anteriores. No mesmo período, as exportações registraram alta de 4,5%, enquanto as importações avançaram 5,7%. A taxa de investimento na economia foi estimada em 18,5% durante o mês de maio, mantendo-se próxima ao patamar registrado no primeiro trimestre.
Para o fechamento de 2026, as expectativas variam entre os agentes econômicos. O relatório Focus, que compila projeções do mercado financeiro junto ao Banco Central, estima uma expansão de 1,98% para o PIB anual. Já o Ministério da Fazenda trabalha com uma perspectiva um pouco mais otimista, prevendo uma variação positiva de 2,3% para o final do exercício.





