A Petrobras reafirmou que não pretende realizar alterações abruptas nos preços dos combustíveis no Brasil, mesmo diante da escalada das cotações internacionais do petróleo provocada pelo conflito no Oriente Médio. A presidente da estatal, Magda Chambriard, destacou que a estratégia central da companhia é elevar a produção de derivados para assegurar a estabilidade energética do país e evitar repasses imediatos de volatilidade ao consumidor final.
Estratégia de produção e segurança energética
Desde o início das tensões geopolíticas envolvendo o Irã, em 28 de fevereiro, a Petrobras intensificou suas operações para garantir o abastecimento interno. A empresa tem focado em maximizar a eficiência de suas refinarias, que operam atualmente com um Fator de Utilização Total (FUT) superior a 100%, o patamar mais elevado registrado desde dezembro de 2014.
Essa busca por volume é uma resposta direta à instabilidade na logística global, especialmente no Estreito de Ormuz, por onde transitava cerca de 20% da oferta mundial de petróleo e gás natural. Ao aumentar a produção local, a estatal busca mitigar os impactos da redução na oferta global, que elevou o barril do tipo Brent de US$ 70 para picos superiores a US$ 120.
Dinâmica de preços e concorrência com etanol
Embora o diesel e o querosene de aviação tenham passado por ajustes, a gasolina permanece sem reajustes recentes. A gestão da Petrobras monitora de perto a participação de mercado e a competitividade frente ao etanol, considerando que a frota brasileira possui veículos flex que permitem ao motorista optar pela alternativa mais vantajosa no posto.
A diretora de Logística, Comercialização e Mercados, Angelica Laureano, reforçou que a empresa mantém o preço equilibrado no momento. Ela esclareceu que a decisão sobre eventuais aumentos não está atrelada à tramitação do Projeto de Lei Complementar (PLP) 67/2026, que discute a desoneração de tributos como PIS/Cofins e Cide sobre combustíveis no Senado.
Desempenho financeiro e recordes operacionais
A Petrobras encerrou o primeiro trimestre de 2026 com um lucro líquido de R$ 32,7 bilhões, superando em 110% o resultado obtido no último trimestre de 2025. Apesar da queda de 7,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, a empresa atribui a variação a efeitos cambiais que não impactam o caixa operacional da companhia.
O desempenho operacional foi marcado por um recorde na produção de óleo e gás, com um crescimento de 16,1% na comparação anual. Além disso, os investimentos da estatal somaram R$ 26,8 bilhões no período, uma expansão de 25,6% frente ao primeiro trimestre de 2025, mantendo a dívida bruta dentro dos limites estabelecidos no plano de negócios 2026-2030, conforme detalhado em relatório oficial da Agência Brasil.




