Terça-feira, 27 de outubro de 2026 19:54
Economia

Superendividamento no Brasil sobe 75% em cinco anos, aponta Banco Central

Número de brasileiros em situação de endividamento de risco chega a 20,3 milhões, aponta relatório divulgado pelo Banco Central.

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Superendividamento no Brasil sobe 75% em cinco anos, aponta Banco Central
© Marcello Casal JrAgência Brasil

O contingente de brasileiros em situação de endividamento de risco atingiu 20,3 milhões em junho de 2026, conforme dados divulgados pelo Banco Central. O volume representa um salto de 75% na comparação com o patamar registrado cinco anos antes.

A parcela corresponde a 17% do total de tomadores de recursos no Sistema Financeiro Nacional. Diante do cenário, o presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, sinalizou que novas regras para conter o avanço de ofertas agressivas de empréstimos serão apresentadas ainda este ano.

As estatísticas oficiais revelam que o comprometimento da renda familiar varia conforme o ganho mensal. Entre os trabalhadores que recebem até dois salários mínimos, o comprometimento total das receitas com compromissos financeiros chegou a 42%, sendo que 15% recaem especificamente sobre o cartão de crédito.

Crescimento do superendividamento no país

O avanço das dívidas tem sido puxado principalmente por modalidades que não exigem garantias reais. De acordo com o diagnóstico do Banco Central, linhas como cartão de crédito, cheque especial e empréstimo pessoal não consignado continuam em expansão mesmo diante de patamares elevados de juros.

Para Galípolo, a dinâmica dessas operações preocupa porque a contratação demonstra baixa sensibilidade ao custo do dinheiro. O foco das futuras restrições governamentais deve recair justamente sobre os consumidores que já recorrem ao rotativo ou acumulam atrasos prolongados nos pagamentos.

O órgão regulador adota critérios específicos para mapear essa população vulnerável. Para entrar na categoria de risco, o tomador precisa acumular atrasos superiores a 90 dias, comprometer mais da metade dos ganhos mensais, utilizar simultaneamente diversas linhas caras ou ficar com renda líquida inferior à linha de pobreza.

Novas regras do Banco Central

Como resposta ao agravamento do quadro, a diretoria colegiada publicou normativas recentes para endurecer a fiscalização sobre a distribuição de crédito. As instituições financeiras passam a ter a obrigação de disponibilizar ferramentas que permitam ao cliente bloquear publicidade e propostas ativas.

Para perfis classificados como vulneráveis, qualquer nova proposta comercial exigirá autorização prévia e específica. Nesses casos, os bancos só poderão apresentar alternativas voltadas à reestruturação financeira, como portabilidade e renegociação, sem a injeção de novos recursos.

O cronograma de implantação prevê que o bloqueio de publicidade comece a valer em 31 de março de 2027. Já em julho do mesmo ano, entram em vigor painéis digitais informativos e restrições para abordagens de empréstimo durante operações realizadas pelo Pix.

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