O governo federal oficializou nesta quinta-feira (30) a segunda etapa do programa Move Brasil, iniciativa estratégica voltada à renovação da frota de veículos pesados no país. Com um aporte total de R$ 21,2 bilhões, a medida busca oferecer condições de financiamento mais acessíveis para empresas de transporte, cooperativas e caminhoneiros autônomos, superando significativamente o volume de recursos da fase inicial do projeto.
O montante disponibilizado é composto por R$ 6,7 bilhões provenientes do BNDES e R$ 14,5 bilhões do Tesouro Nacional. A expansão do programa responde à alta demanda observada nos meses anteriores, quando os R$ 10 bilhões iniciais foram integralmente comprometidos em pouco mais de três meses, resultando em mais de mil contratos firmados.
Expansão do crédito e novas condições para o setor
A nova fase do Move Brasil introduz a inclusão de ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários, como carrocerias e reboques, no escopo de financiamento. O limite máximo por beneficiário permanece fixado em R$ 50 milhões, com a operação sendo realizada pelo BNDES em conjunto com instituições financeiras parceiras.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou a necessidade de maior agilidade na liberação dos recursos, especialmente para os caminhoneiros autônomos. Durante a cerimônia no Palácio do Planalto, o chefe do Executivo cobrou que bancos públicos, como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, simplifiquem o acesso ao crédito para pequenos tomadores, evitando que a preferência por grandes corporações prejudique a categoria.
Benefícios específicos para caminhoneiros autônomos
Uma das mudanças mais significativas atende diretamente os motoristas autônomos, que agora contam com prazos de pagamento estendidos para até 10 anos, totalizando 120 parcelas. A carência para o início do pagamento também foi ampliada, passando de seis para 12 meses, oferecendo um fôlego financeiro maior para a renovação dos veículos.
Além do prazo, houve uma redução na taxa de juros, que caiu para 11,3% ao ano, conforme detalhado pelo Ministério da Fazenda. A expectativa é que essa redução, aliada às novas condições, estimule a indústria automotiva a manter empregos e promover ajustes nos preços dos veículos, funcionando como uma contrapartida social e econômica do programa.
Sustentabilidade e critérios ambientais
O acesso ao crédito está condicionado ao cumprimento de normas de sustentabilidade. O programa incentiva a aquisição de veículos com maior eficiência energética e menores índices de emissão de poluentes. Adicionalmente, proprietários que optarem pela reciclagem de veículos antigos poderão acessar taxas de juros ainda mais competitivas.
O transporte rodoviário, responsável por cerca de 60% da movimentação de cargas no Brasil, enfrenta um cenário de frota obsoleta, o que eleva os custos de manutenção e compromete a segurança. A renovação proposta pelo governo visa mitigar esses riscos, fortalecendo a cadeia logística nacional e garantindo maior eficiência no escoamento de produtos essenciais.
Medidas Provisórias e suporte ao Fundo Garantidor
A viabilização do programa ocorreu por meio da assinatura de duas Medidas Provisórias. A primeira autoriza o aumento da participação da União no Fundo Garantidor para Investimentos (FGI) em até R$ 2 bilhões, facilitando o compartilhamento de riscos com agentes financeiros. A segunda MP institui um crédito extraordinário de R$ 17 bilhões para cobrir os aportes no FGI, no Move Brasil e no Fundo Garantidor de Operações de Comércio Exterior.





