Cursinhos populares preparam milhares de estudantes vulneráveis para o Enem
Cursinhos populares oferecem aulas gratuitas e apoio financeiro para candidatos de baixa renda no Enem 2026.
Resumo da notícia
- Os cursinhos populares têm se consolidado como a principal ponte para o ensino superior entre brasileiros em situação de vulnerabilidade social.
- A rotina de preparação para o vestibular também faz parte do dia a dia da diarista Márcia Regina Carvalho Damasceno Dias.
- A Rede CPOP abrange 1.535 unidades espalhadas pelo Brasil.
- Para garantir a estrutura dos cursinhos populares, o Ministério da Educação repassa até R$ 163,2 mil por unidade selecionada na CPOP.
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Os cursinhos populares têm se consolidado como a principal ponte para o ensino superior entre brasileiros em situação de vulnerabilidade social. Integrantes da Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP), esses espaços atendem mais de 58 mil alunos originários da rede pública que buscam uma vaga no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e em vestibulares pelo país.
Entre os inscritos do Enem 2026, 13.821 candidatos possuem mais de 60 anos, refletindo um movimento de retorno às salas de aula impulsionado por projetos comunitários. É o caso de Raimundo dos Santos Nascimento, de 62 anos, carioca radicado no Distrito Federal. Após viver seis anos em situação de rua no Plano Piloto de Brasília, ele concluiu o ensino fundamental pela Escola de Meninos e Meninas do Parque e agora estuda para cursar psicologia na Universidade de Brasília (UnB).
Raimundo ingressou no preparatório Jovem de Expressão (JEX), na Ceilândia, para intensificar o ritmo de estudos. O candidato ressalta que obteve 640 pontos na redação em uma edição anterior da prova e busca a graduação para transformar sua trajetória de vida.
Transformação de vidas e reinserção nos estudos
A rotina de preparação para o vestibular também faz parte do dia a dia da diarista Márcia Regina Carvalho Damasceno Dias. Afastada das salas de aula há 20 anos, ela decidiu retomar a vida escolar incentivada pela filha universitária e almeja conquistar uma vaga no curso de nutrição.
A busca por novas oportunidades se repete com a caixa de supermercado Gilmara Pereira Braga, de 47 anos, que pretende ingressar em psicologia na UnB para atuar voltada à educação especial. Além de trabalhadores que encaram jornada dupla, os cursinhos acolhem jovens periféricos como o produtor musical Miguel Lacerda, de 20 anos, que vê no projeto comunitário a chance de disputar o acesso à faculdade em igualdade de condições.
Inclusão social e perfil dos estudantes atendidos
A Rede CPOP abrange 1.535 unidades espalhadas pelo Brasil. A prioridade de atendimento é voltada a pessoas negras, indígenas, quilombolas, pessoas com deficiência e famílias com renda per capita de até um salário mínimo, fixado em R$ 1.621 em 2026.
O modelo permite que trabalhadores de baixa renda tenham acesso gratuito a conteúdo atualizado para concorrer nas seleções de universidades públicas. Para acompanhar mais atualizações sobre exames e políticas públicas, acesse a Agência Brasil.
Apoio financeiro e sustentabilidade das unidades
Para garantir a estrutura dos cursinhos populares, o Ministério da Educação repassa até R$ 163,2 mil por unidade selecionada na CPOP. O montante financia despesas com professores, coordenação pedagógica, suporte técnico, material didático e custos operacionais.
O coordenador pedagógico do Jovem de Expressão na Ceilândia, Rodrigo da Silva Soares, destaca que o aporte financeiro fortalece a manutenção do projeto, garantindo auxílio com transporte e alimentação para os voluntários. A estudante Azize Quemel, de 28 anos, enfatiza que o investimento governamental em ações comunitárias é decisivo para assegurar direitos básicos à população da periferia.
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