Expansão do letramento étnico-racial nas escolas
As inscrições para a Olimpíada Brasileira de Africanidades e Povos Originários (Obapo) seguem abertas até a próxima sexta-feira (8). A iniciativa busca fomentar o letramento étnico-racial em instituições de ensino públicas e particulares de todo o país, consolidando-se como um espaço de reflexão sobre a formação cultural brasileira.
Podem participar estudantes matriculados do 2º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio. O projeto também acolhe alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA), que realizam as provas conforme o nível de escolaridade correspondente.
Estrutura e modalidades de participação
O processo de inscrição pode ser realizado tanto por escolas quanto por estudantes individuais, desde que acompanhados por um responsável com 21 anos ou mais. O registro deve ser efetuado diretamente pelo site da Obapo. Enquanto a modalidade escolar permite a participação de um número ilimitado de alunos, o edital estabelece taxas para cobrir custos administrativos e pedagógicos: R$ 440 para escolas públicas, R$ 880 para privadas e R$ 65 para inscrições individuais.
As avaliações serão aplicadas de forma remota, via internet, entre os dias 13 e 29 de maio, sob a supervisão de funcionários das instituições de ensino. A aplicação presencial com material impresso é restrita a casos excepcionais, mediante consulta prévia à organização.
Conteúdo programático e diretrizes pedagógicas
O conteúdo das provas é estruturado em conformidade com as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Para os estudantes das séries iniciais, o foco recai sobre expressões artísticas, brincadeiras e modos de vida de povos originários e comunidades afro-brasileiras.
Já para os níveis mais avançados, o exame aborda temas complexos como a transmissão de saberes pela oralidade, racismo ambiental, preconceito linguístico e conceitos de decolonialidade. Segundo a coordenadora pedagógica Érica Rodrigues, a olimpíada tem alcançado um equilíbrio significativo entre redes municipais, estaduais e institutos federais.
Impacto social e representatividade
O crescimento da adesão ao projeto é notável, com o número de participantes saltando de 33 mil no ano passado para mais de 100 mil em 2026. A participação ativa de estudantes indígenas e quilombolas tem sido um dos pontos altos, reforçando o sentimento de pertencimento e o orgulho pelas raízes ancestrais.
Além da competição, o movimento busca oferecer recursos para educadores que desejam implementar práticas contra-hegemônicas em sala de aula. O objetivo central é enfrentar as desigualdades educacionais e promover uma educação integral que conteste estruturas históricas de exclusão e marginalização no ambiente escolar.





