A apresentadora Angélica, aos 52 anos, surpreendeu ao exibir um novo visual com um corte de cabelo estilo long bob. A mudança, que eliminou parte do comprimento e as pontas mais finas, foi amplamente elogiada nas redes sociais e por seu marido, Luciano Huck, de 55 anos. O novo estilo, que confere uma aparência mais cheia aos fios, levanta uma questão comum: por que cortar as pontas pode fazer o cabelo parecer mais volumoso?
De acordo com a tricologista Dra. Márcia San Juan Dertkigil, o efeito de maior volume percebido no cabelo de Angélica tem uma explicação científica. As pontas dos fios, por serem a parte mais antiga e exposta, tendem a ficar mais finas e desgastadas, criando uma impressão de cabelo ralo.
Ao remover essas extremidades, o corte cria uma base mais uniforme e compacta. “Quando as pontas estão muito finas, desgastadas ou transparentes, elas deixam o comprimento com uma aparência mais rala. Ao retirar essa parte e criar uma base mais uniforme, o cabelo passa a ter uma linha visual mais cheia e compacta”, explica a Dra. Márcia San Juan Dertkigil. Ela acrescenta que essa é a razão pela qual um corte pode dar a impressão de volume, mesmo sem um aumento real na quantidade de fios.
O impacto visual das pontas finas
As pontas do cabelo são a parte que mais sofre com a exposição diária a diversos fatores. Sol, calor de secadores e chapinhas, processos químicos, escovação e atrito constante contribuem para o desgaste. Com o tempo, essa região dos fios pode ficar mais fina, quebradiça e perder massa, resultando em uma aparência rala e sem vida.
A Dra. Márcia San Juan Dertkigil enfatiza que a remoção dessas pontas danificadas é crucial para a percepção de um cabelo mais denso. “As pontas são a região do fio que passou mais tempo exposta a fatores como sol, calor, escovação, químicas e atrito. Com o tempo, elas podem ficar mais finas, quebradiças e perder massa. Quando essa parte é retirada, a base do cabelo fica visualmente mais compacta e uniforme”, detalha a especialista.
Diferenças entre densidade e desgaste capilar
É fundamental distinguir entre fios naturalmente finos, baixa densidade capilar e pontas desgastadas. Fios finos referem-se à espessura individual de cada fio, enquanto a densidade capilar está ligada à quantidade de fios por área do couro cabeludo. Uma pessoa pode ter muitos fios finos ou poucos fios grossos. Além disso, é possível ter uma boa densidade na raiz, mas pontas ralas devido à quebra e ao desgaste.
Um corte como o long bob, portanto, pode gerar uma transformação visual notável sem alterar a quantidade real de cabelo. “Quando eliminamos uma extremidade muito afinada, conseguimos construir uma linha de corte mais cheia. Isso não significa que nasceram mais fios ou que houve aumento da densidade capilar. É uma mudança na distribuição visual da massa do cabelo”, esclarece a tricologista.
Pontas finas: um alerta ou desgaste natural?
Outro ponto importante é não confundir pontas afinadas com queda de cabelo. Segundo a médica, são fenômenos distintos. A queda de cabelo está relacionada ao ciclo do folículo e à saúde do couro cabeludo. Já as pontas finas indicam quebra, desgaste da fibra e perda de massa ao longo do comprimento do fio.
Fatores como tratamentos químicos frequentes, uso excessivo de ferramentas de calor, exposição solar, tração e até mesmo o atrito da escovação ou acessórios podem acelerar o desgaste da fibra capilar. As pontas, sendo a parte mais antiga do cabelo, são as primeiras a mostrar sinais de dano, podendo resultar em um comprimento irregular e transparente nas extremidades.
Corte não ‘cura’, mas renova a aparência
Embora um bom corte melhore significativamente a aparência dos fios, a tricologista ressalta que ele não tem o poder de “curar” uma fibra já danificada. “O cabelo que está para fora do couro cabeludo é uma estrutura que não possui capacidade de regeneração biológica. O corte remove a parte danificada, melhora o aspecto e evita que aquela região desgastada continue comprometendo a aparência do comprimento, mas não transforma uma fibra já danificada em uma fibra nova”, afirma a Dra. Márcia.
Por isso, além de aparar as pontas regularmente, é essencial manter uma rotina de cuidados adequada e atenção à saúde do couro cabeludo para garantir a vitalidade dos fios.
Quando buscar ajuda profissional para os fios
A aparência das pontas, por si só, não é suficiente para diagnosticar um problema capilar. No entanto, se houver mudanças persistentes, como quebra intensa, redução generalizada do volume ou alterações na quantidade de fios, especialmente próximos ao couro cabeludo, uma avaliação profissional é recomendada.
“Se a pessoa percebe que o cabelo está afinando progressivamente, que há aumento importante de quebra ou que o volume diminuiu também na região próxima ao couro cabeludo, vale investigar. O importante é não atribuir toda alteração do cabelo simplesmente ao corte ou à genética sem observar o conjunto”, orienta a especialista. Um corte bem planejado, como o de Angélica, pode, portanto, criar a ilusão de um cabelo mais encorpado e volumoso, principalmente pela remoção das pontas finas e pela criação de uma base mais consistente e uniforme. “É um efeito principalmente visual, mas que pode fazer uma diferença grande no resultado final”, conclui a Dra. Márcia Dertkigil.
Para mais informações sobre saúde capilar, consulte fontes confiáveis como a CARAS Brasil.





