A trajetória de Ísis de Oliveira na televisão brasileira é marcada por papéis de destaque e uma presença constante nas produções da Rede Globo durante as décadas de 1980 e 1990. No entanto, um episódio específico de sua carreira permanece como um dos momentos mais comentados pelo público e pela crítica: sua saída abrupta da novela Meu Bem, Meu Mal, exibida entre 1990 e 1991, antes mesmo do desfecho da trama.
Atualmente aos 76 anos, a atriz, que se encontra afastada das produções televisivas desde 1997, enfrenta um tratamento contra um câncer de pele. Relembrar sua trajetória é revisitar uma era de ouro da teledramaturgia nacional, onde o nome de Ísis de Oliveira figurava em elencos de grandes sucessos, consolidando sua imagem como uma das artistas mais reconhecidas de sua geração.
Ascensão e trajetória artística na televisão
Nascida em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, a atriz iniciou sua jornada profissional antes de alcançar o estrelato. Após trabalhar como secretária, ela ingressou no meio artístico como uma das integrantes do grupo Garotas do Fantástico, o que abriu portas para sua carreira na dramaturgia.
Ao longo dos anos 1980, consolidou-se como um rosto frequente na tela da Globo. Seu currículo inclui participações em programas de humor de Jô Soares e atuações em novelas icônicas, como Roque Santeiro, Sol de Verão, O Outro e Que Rei Sou Eu?. Além da atuação, ela também exerceu a função de apresentadora no programa Aplauso, dividindo a tela com nomes consagrados como Marília Gabriela e Tônia Carrero.
O desligamento de Meu Bem, Meu Mal
Em 1990, a atriz foi escalada para interpretar a personagem Madame Mimi na novela Meu Bem, Meu Mal, escrita por Cassiano Gabus Mendes. Contudo, sua participação foi interrompida após 68 capítulos por uma decisão do então diretor-executivo Paulo Ubiratan, que gerou controvérsia na época.
Conforme registros da imprensa da época, como reportagens do jornal O Dia, a atriz foi retirada da produção sem receber explicações formais da direção. Ísis de Oliveira classificou a decisão como autoritária, negando veementemente os rumores de que teria faltado às gravações após uma viagem a Portugal. Segundo a artista, ela possuía autorização para o período de descanso e retornou ao Brasil conforme o cronograma estabelecido pela emissora.
Repercussão e esclarecimentos sobre o caso
Após o afastamento, um diálogo exibido na trama levantou suspeitas de que a emissora estaria fazendo uma referência direta ao desligamento da atriz. Na cena, personagens mencionavam a demissão de uma esposa por “excesso de faltas ao trabalho”, o que foi interpretado por parte do público como uma indireta. O autor Cassiano Gabus Mendes, no entanto, negou qualquer relação entre o texto e o ocorrido, tratando a coincidência como uma interpretação equivocada.
Anos depois, a própria Ísis de Oliveira esclareceu em entrevista que o conflito foi isolado e restrito ao diretor Paulo Ubiratan, não representando um rompimento definitivo com a emissora. A atriz reforçou que chegou a realizar participações especiais na casa posteriormente, mantendo vivo o desejo de retornar aos palcos e à televisão.





