A atriz Mariana Sena, de 31 anos, celebra uma década de carreira em um momento de grande sucesso profissional. Em meio a novos projetos no cinema e na televisão, ela usa sua visibilidade para abordar um tema crucial: a violência contra a mulher, inspirada por sua personagem na novela das nove da Globo.
Atualmente, Mariana interpreta Elenice em “Quem Ama Cuida”, uma mulher presa em um relacionamento tóxico com Tom, papel de Allan Souza Lima. Para a atriz, a trama vai além do entretenimento, cumprindo uma função social vital. “É importante para as pessoas se reconhecerem e conseguirem identificar os tipos de violência, porque não tem só a física, tem a psicológica, moral, patrimonial”, afirmou em entrevista à Caras Brasil na Casa Redentor, no Rio.
Longe da ficção, a vida pessoal de Mariana é marcada por uma relação saudável com o ator Elzio Vieira, de 32 anos, pai de sua filha Ayomi, de 2. No entanto, o convite para a novela, recebido enquanto gravava a série “Jogada de Risco” do Globoplay, trouxe à tona memórias de um passado desafiador.
A Importância da Representação na TV
A atriz destacou a relevância de abordar o tema em uma novela de grande alcance. Em um país com altos índices de feminicídio, a trama de Elenice serve como um espelho para muitas mulheres. “Vi uma estatística de que, a cada 30 segundos, uma mulher sofre violência doméstica”, revelou Mariana.
Ela explicou que relacionamentos abusivos raramente começam com agressão física. A violência é frequentemente plantada de forma sutil, começando pela esfera psicológica. A vítima, muitas vezes, fica tão envolvida que não percebe a gravidade da situação até que as agressões se tornem físicas ou ameaçadoras. A novela busca justamente desmistificar a ideia de que certos comportamentos são “amor” ou “cuidado”, quando na verdade são sinais de abuso.
Experiência Pessoal de Mariana Sena
A vivência de Elenice ressoa profundamente com Mariana Sena, que já enfrentou um relacionamento tóxico em sua juventude. A atriz compartilhou um episódio marcante: “Parei de usar maquiagem durante esse namoro. Lembro que, uma vez, minha mãe me deu um batom para ir a um casamento, passei e ele falou que eu era bonita natural, que não era elegante, estava igual a uma p…”. Mesmo com sua personalidade forte, ela cedeu e amenizou a maquiagem.
O reconhecimento da situação veio através de sua família. As mulheres de sua casa realizaram uma intervenção, alertando-a sobre o comportamento abusivo do então namorado, que a interrompia constantemente e tentava explicar suas falas. “Ou você termina ou a gente vai terminar por você”, disseram a ela.
O Caminho para a Libertação e o Impacto
Apesar do alerta familiar, Mariana admitiu que demorou a romper o ciclo. Havia esperança e um forte envolvimento emocional. A libertação só veio após uma traição, que a fez “ir no fundo do poço” e finalmente se desvincular. Após o término, a mudança foi notável. “Todo mundo dizia que eu estava com outra energia. É um resgate, porque você se perde de si nesse tipo de relação”, descreveu.
Hoje, a atriz recebe inúmeros relatos de mulheres que se identificam com a história de Elenice. Ela se emociona ao saber que jovens conseguem reconhecer os sinais de um relacionamento abusivo mais cedo, o que considera uma grande esperança. Além disso, muitas mulheres mais velhas também escrevem, percebendo que estão vivendo situações semelhantes e buscando ajuda. A visibilidade da novela contribui para que mais pessoas identifiquem e combatam a violência contra a mulher, buscando apoio e informações em canais oficiais, como os disponibilizados pelo Governo Federal.





