Usuários comuns conseguem desativar antivírus no Macos sem precisar de senha de administrador

Falha no macOS permite que usuários comuns desativem softwares de segurança sem senha de administrador. Entenda como o ataque funciona.

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Falha no macOS permite desativar antivírus sem senha de administrador
Falha no macOS permite desativar antivírus sem senha de administrador

Uma vulnerabilidade crítica descoberta recentemente no sistema operacional macOS permite que usuários comuns desativem softwares de proteção corporativa sem a necessidade de credenciais de administrador. O método, identificado por pesquisadores, opera de forma silenciosa e não exige a exploração de falhas complexas no núcleo do sistema, tornando-se uma ameaça significativa para ambientes empresariais que dependem de ferramentas de monitoramento e segurança.

A descoberta foi realizada pela empresa de segurança XM Cyber e afeta diversos produtos amplamente utilizados para detecção de ameaças e gerenciamento de dispositivos. A ausência de rastros perceptíveis durante a execução do ataque eleva a preocupação de especialistas, uma vez que o procedimento abusa de comportamentos legítimos do próprio sistema operacional.

Mecanismo de comunicação XPC e a falha de confiança

Para compreender a origem do problema, é preciso analisar como o macOS gerencia seus aplicativos. Muitos programas são divididos em duas partes: uma interface visível ao usuário e um processo em segundo plano que opera com privilégios elevados. A comunicação entre esses componentes ocorre por meio de um mecanismo interno chamado XPC.

O sistema confia nas mensagens trocadas entre esses componentes desde que a assinatura digital seja validada. Contudo, o macOS armazena essa verificação em um cache temporário. A falha reside no fato de que, após a confirmação inicial da assinatura de um aplicativo legítimo, o sistema não reavalia a confiança imediatamente, criando uma janela de oportunidade para a exploração.

Execução do ataque em contas comuns

O ataque não requer privilégios especiais, bastando o acesso a uma conta comum no dispositivo. O invasor inicia um aplicativo legítimo e assinado, forçando o sistema a registrar o processo como confiável. Em seguida, a estrutura interna do software é modificada para a injeção de um arquivo de interface malicioso, conhecido como NIB.

Uma vez modificado, o processo passa a operar dentro do contexto de confiança do aplicativo original. Isso permite a comunicação direta com o processo privilegiado em segundo plano, sem exigir autenticação adicional. O código malicioso pode, então, acionar funções sensíveis de softwares de segurança, como o encerramento de agentes de monitoramento ou a desativação de extensões do sistema.

Impacto nos produtos e respostas dos fabricantes

Pesquisadores validaram a técnica contra ferramentas reais, incluindo o Falcon, da CrowdStrike, e soluções da Kandji. Em testes, foi possível descarregar completamente agentes de segurança, interrompendo a visibilidade de rede e a detecção de ameaças. A CrowdStrike confirmou a falha, recompensou os pesquisadores e implementou proteções adicionais em suas versões para macOS.

A Kandji também corrigiu o problema em seus sistemas, que recebeu o identificador CVE-2026-39118. Como a técnica não instala arquivos suspeitos nem utiliza exploração de memória, ela evita gatilhos de segurança tradicionais, tornando-se um risco latente em cenários de ameaça interna.

Soluções e ferramentas de mitigação

A correção para essa vulnerabilidade já está disponível e é considerada simples pelos especialistas. Desenvolvedores podem implementar a verificação da identidade real dos componentes durante o início da conexão XPC, em vez de depender exclusivamente do cache de assinaturas do macOS.

Para auxiliar na identificação de riscos, a XM Cyber desenvolveu o XPC Hunter, uma ferramenta de código aberto que varre aplicativos instalados em busca de interfaces vulneráveis. A recomendação é que administradores de sistemas mantenham seus softwares atualizados e monitorem a integridade das aplicações corporativas em seus parques tecnológicos.

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