A percepção de inflação no cotidiano das famílias brasileiras permanece elevada, conforme apontam os dados mais recentes da pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (13). O levantamento indica que a grande maioria da população continua sentindo o peso dos reajustes nos itens básicos de consumo, especialmente no setor de alimentação, o que impacta diretamente o orçamento doméstico.
O estudo reflete um cenário de preocupação econômica disseminada, onde o custo de vida se torna o centro das atenções do consumidor. A análise detalhada dos números mostra que a sensação de carestia não é um fenômeno isolado, mas uma constante que molda o comportamento de compra em diversas regiões do país.
Percepção de alta nos supermercados atinge sete em cada dez brasileiros
Os dados revelam que 69% dos brasileiros avaliam que os preços nos mercados aumentaram ao longo do último mês. Esse sentimento de encarecimento reflete uma realidade econômica que tem pressionado o planejamento financeiro das famílias de forma contínua, exigindo adaptações no consumo diário.
Embora o número seja expressivo, ele demonstra uma estabilidade estatística quando comparado ao levantamento anterior. Em abril, o percentual de cidadãos que notaram a subida dos preços era de 72%, o que indica uma variação dentro da margem de erro da pesquisa, mantendo o patamar de alerta elevado.
A distribuição das respostas sobre a variação dos preços dos alimentos em maio ficou assim dividida:
- Preços subiram para 69% dos entrevistados;
- Preços mantiveram-se iguais para 21%;
- Preços caíram para 8%;
- Não souberam ou não responderam somam 2%.
Impacto da inflação de abril reflete no sentimento do consumidor
A percepção popular encontra respaldo nos indicadores oficiais de inflação divulgados recentemente. No mês de abril, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou uma variação de 0,67%. Esse movimento foi impulsionado de forma significativa pelo grupo de alimentos e bebidas, que possui um peso considerável no cálculo do índice oficial.
Essa pressão inflacionária direta no prato do brasileiro explica por que a sensação de carestia permanece tão disseminada entre diferentes estratos sociais. Mesmo com variações pontuais em certos produtos de safra, o custo médio da cesta básica e de itens proteicos essenciais mantém o consumidor em estado de alerta constante durante as idas ao estabelecimento comercial.
Queda no poder de compra preocupa famílias em todo o país
Além da análise imediata do último mês, a pesquisa Quaest explorou a visão de longo prazo dos brasileiros sobre suas finanças pessoais. O resultado aponta que 69% dos entrevistados consideram que o seu poder de compra diminuiu em relação ao ano passado, um dado que sinaliza o desgaste da renda frente ao custo de vida.
Apenas 11% dos participantes afirmaram que seu poder de compra está maior hoje do que há doze meses, enquanto 19% acreditam que a situação permanece estável. Esse cenário reforça o desafio estrutural das famílias em manter o padrão de consumo básico diante de uma economia que ainda busca um equilíbrio sustentável entre preços e salários.
Metodologia e detalhes técnicos do levantamento nacional
O levantamento foi realizado entre os dias 8 e 11 de maio, ouvindo um total de 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em diversas regiões do país. A pesquisa está devidamente registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03598/2026, garantindo a transparência e o rigor técnico do processo.
A margem de erro estimada é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com um intervalo de confiança de 95%. Os dados completos e as análises setoriais podem ser consultados no portal da CNN Brasil, que acompanhou a divulgação oficial dos resultados e as implicações políticas do levantamento.




