O comércio varejista brasileiro encerrou o primeiro trimestre com um desempenho sólido, atingindo o maior patamar de sua série histórica. De acordo com os dados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada pelo IBGE, o setor registrou um avanço de 0,5% em março na comparação com o mês anterior. Este resultado marca a terceira alta consecutiva do setor, consolidando uma trajetória de crescimento que se mantém firme desde o final do ano passado.
Na comparação anual, o salto é ainda mais expressivo, com um crescimento de 4% em relação a março do ano anterior. No acumulado dos últimos 12 meses, o varejo apresenta uma expansão de 1,8%. Os números refletem um cenário de maior estabilidade econômica e maior poder de compra em nichos específicos, impulsionados por fatores macroeconômicos favoráveis ao consumo interno.
Influência do dólar na importação de eletrônicos
Um dos principais motores para o crescimento registrado em março foi a desvalorização da moeda norte-americana. O dólar médio no período foi de R$ 5,23, valor consideravelmente inferior aos R$ 5,75 registrados no mesmo mês do ano anterior. Essa queda teve impacto direto no segmento de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, que liderou as altas com um salto de 5,7%.
Segundo analistas do IBGE, a redução no custo do câmbio permitiu que as empresas recompusessem seus estoques de produtos importados a preços mais competitivos. Com o custo de aquisição menor, o varejo conseguiu realizar promoções estratégicas ao longo do mês de março, atraindo consumidores interessados em tecnologia e itens de informática, setores que possuem alta sensibilidade às variações cambiais.
Variações setoriais e resiliência nos combustíveis
Além da tecnologia, outros quatro grupos de atividades apresentaram resultados positivos em março. O setor de combustíveis e lubrificantes cresceu 2,9%, demonstrando resiliência mesmo diante da pressão nos preços internacionais causada por tensões geopolíticas no Oriente Médio. O aumento nos preços finais não inibiu a demanda, resultando em um crescimento de 11,4% na receita nominal da atividade.
Outros setores que contribuíram para o índice positivo foram os de artigos de uso pessoal e doméstico, com alta de 2,9%, e o segmento de livros, jornais e papelaria, que avançou 0,7%. O ramo farmacêutico e de perfumaria manteve uma trajetória de estabilidade com leve viés de alta de 0,1%. Por outro lado, os setores de tecidos, vestuário e calçados não apresentaram variação, permanecendo estagnados no período.
Pressão inflacionária afeta o consumo em supermercados
Apesar do recorde geral, nem todos os segmentos acompanharam o otimismo. A atividade de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo registrou uma queda de 1,4%. Este recuo é particularmente relevante para o índice geral, uma vez que o setor responde por mais da metade de todo o peso do comércio varejista no país.
A explicação para esse desempenho negativo reside na inflação de alimentos, que continua pressionando o orçamento das famílias brasileiras. Com os preços elevados nos itens de primeira necessidade, o volume de vendas acaba sofrendo retração, mesmo em um cenário de crescimento de outros indicadores econômicos. O setor de móveis e eletrodomésticos também enfrentou dificuldades, com recuo de 0,9% no mês.
Resultados do varejo ampliado e atacado
No âmbito do varejo varejista ampliado, que engloba também o comércio de veículos, motos, peças e material de construção, o indicador apresentou uma subida de 0,3% entre fevereiro e março. No acumulado de 12 meses, este indicador mais abrangente marca um crescimento discreto de 0,2%, sinalizando uma recuperação gradual em setores que dependem fortemente de crédito e financiamento de longo prazo.
A tendência de alta observada desde outubro de 2025 reforça a percepção de que o comércio brasileiro encontrou um novo patamar de sustentação. A combinação de um câmbio mais favorável para importações e a manutenção da demanda em setores essenciais compensou as perdas pontuais causadas pela inflação em itens de consumo básico, garantindo o novo recorde para o setor.




