A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) celebrou recentemente a inauguração da Rádio UFRJ FM, transmitindo na frequência 88,9 FM para todo o Grande Rio. Este lançamento representa a concretização de um projeto que se estende por quase quatro décadas, desde suas origens como uma iniciativa estudantil audaciosa até se consolidar como um veículo de comunicação pública e educativa.
A nova emissora promete enriquecer o dial carioca com uma programação diversificada, que abrange desde a música independente e conteúdos infantojuvenis até a divulgação científica, notícias e esportes. A iniciativa reforça o compromisso da universidade com a pluralidade de vozes e o acesso à informação de qualidade, em um cenário midiático em constante transformação.
Da Rádio Livre à Concessão Oficial: Quase Quatro Décadas de Luta
A história da Rádio UFRJ FM é marcada por um longo percurso de ativismo e persistência. Em meados de 1989, um grupo de estudantes, incluindo o atual diretor da UFRJ FM, Marcelo Kischinhevsky, uniu-se para colocar no ar a então Rádio Livre, que alguns anos mais tarde foi rebatizada como Rádio Interferência. A emissora operava inicialmente com um transmissor modesto, montado no centro acadêmico e com programação gravada em fitas cassete.
Por cerca de duas décadas, a rádio transmitiu de forma independente, enfrentando desafios e, em certo momento, sendo fechada pela polícia sob a acusação de ser uma estação “pirata” após adquirir um transmissor mais potente. No entanto, essa interrupção abriu caminho para uma discussão mais ampla sobre a radiodifusão universitária. Em meados da década de 2010, com a mediação do Ministério Público Federal e a reorganização do dial carioca, a UFRJ finalmente obteve um canal FM, em parceria com a Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
Programação Abrangente e o Potencial de Conexão
A programação da Rádio UFRJ FM é cuidadosamente elaborada para atender a diversos públicos e interesses. Além de blocos da Rádio MEC AM, gerenciada pela EBC, a emissora se destaca por oferecer um espaço para a música independente, que muitas vezes encontra barreiras nas rádios comerciais. Estudantes como Davi Maia, que contribuiu com a seleção musical da inauguração, ressaltam a importância de uma curadoria diferenciada que valoriza artistas e gêneros fora do circuito mainstream.
Com a licença para instalar seus transmissores no Morro do Sumaré, no Parque Nacional da Tijuca, obtida em um período anterior, a rádio iniciou suas transmissões experimentais no período atual, visando alcançar uma vasta audiência potencial em todo o Grande Rio. Desde 2019, a rádio já operava na internet e como laboratório, preparando o terreno para este momento histórico. A estruturação da emissora contou, inclusive, com recursos de emendas parlamentares, superando cortes orçamentários da instituição.
A Essência da Radiodifusão Pública e Educativa
A chegada da Rádio UFRJ ao dial carioca é vista como um avanço significativo para a pluralidade da comunicação. A professora de Comunicação Suzy dos Santos, especialista em políticas de comunicação, enfatiza que a radiodifusão comercial, muitas vezes concentrada e movida pelo lucro, pode operar contra os interesses sociais. Em contraste, a Rádio UFRJ surge como um veículo essencial para fomentar uma sociedade democrática e plural, oferecendo um contraponto à manipulação e aos usos eleitoreiros de canais abertos.
O diretor Marcelo Kischinhevsky expressou a emoção de ver o projeto no ar, destacando a alegria de celebrar a vitória da radiodifusão pública, educativa e universitária. Este sentimento é compartilhado pela comunidade acadêmica e por aqueles que acompanharam a longa jornada da emissora, que agora integra a Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP) da EBC, uma rede que abrange centenas de afiliadas de rádio e televisão por todo o país.
Diálogo com a Sociedade e o Futuro da Emissora
A Rádio UFRJ FM tem como público-alvo principal jovens e adultos, buscando estabelecer uma conexão relevante com a população. O reitor da UFRJ, Roberto Medronho, sublinha a importância de um veículo que acompanhe a população, especialmente a juventude, em um momento de rápida circulação de desinformação. Ele ressalta que a democracia não é um regime garantido e que a juventude precisa estar alerta contra ameaças como a desinformação, um legado da luta de gerações anteriores.
Para construir sua grade futura, a Rádio UFRJ lançou um edital de seleção de programas, aceitando propostas tanto da comunidade acadêmica quanto de fora, desde que alinhadas aos princípios da emissora. A iniciativa visa trazer a sociedade para dentro da universidade, promovendo a divulgação científica, tecnológica e cultural, além de construir uma agenda pública de debates para o estado do Rio de Janeiro. A emissora, que conta com um Conselho Curador composto por representantes de diversos setores, busca, mais do que falar, ouvir e interagir com seu público. Para mais informações, acesse o portal da Agência Brasil.




