Com mais de quatro décadas de uma carreira sólida no teatro e na televisão, o ator gaúcho Camilo Bevilacqua, de 77 anos, é um dos rostos mais conhecidos da dramaturgia brasileira. No entanto, antes de conquistar o público em grandes produções da TV Globo e da Record, o artista trilhou um caminho que poderia ter mudado completamente seu destino: a vida religiosa.
Nascido em Gaurama, no Rio Grande do Sul, Bevilacqua revelou que, durante a infância, chegou a ingressar em um seminário. A experiência, que durou quatro anos, começou quando ele tinha apenas 11 anos de idade. Foi nesse ambiente que ele teve seus primeiros contatos com a oratória, atuando como solista no coral e dublando slides sobre passagens bíblicas, o que despertou sua vocação para os palcos.
A transição para a atuação profissional ocorreu após ele se mudar para Porto Alegre, aos 18 anos, para cursar Arquitetura. Incentivado por um primo, ele se matriculou em um curso de teatro e estreou profissionalmente em 1968, na peça “Pique Nique no Front”. A decisão de se dedicar integralmente às artes cênicas foi consolidada na década de 1970, quando ingressou na UFRGS para se profissionalizar, em um período marcado pela censura e repressão política.
Consolidação artística e mudança para o Rio de Janeiro
A mudança definitiva para o Rio de Janeiro aconteceu em 1975, impulsionada pelo sucesso da peça “Mockinpott”. O que deveria ser uma estadia curta para apresentações transformou-se em uma nova vida na capital fluminense, onde o ator reside até hoje. Ao longo de sua trajetória, ele acumulou participações em produções de grande audiência, como as novelas Belíssima, Páginas da Vida e Cobras & Lagartos, além de atuações marcantes na Record, como na minissérie Sansão e Dalila.
Realismo sobre a profissão e prêmios
Embora possua um vasto currículo que inclui mais de 45 peças teatrais e 26 filmes, Camilo Bevilacqua mantém uma visão pragmática sobre o mercado artístico brasileiro. Ele reconhece que, apesar de sua profunda paixão pelos palcos, a estabilidade financeira é frequentemente garantida pelos trabalhos na televisão. O ator, que já foi premiado em diversas ocasiões, como no Prêmio Ibeu de Teatro, continua a dividir seu tempo entre a direção de espetáculos e a atuação, mantendo vivo o legado que iniciou há décadas.





