A capital baiana amanheceu nesta sexta-feira (22) com o sistema de transporte público impactado pela greve dos rodoviários, que teve início à 0h e segue por tempo indeterminado. A paralisação é resultado de um prolongado impasse nas negociações entre trabalhadores e empresas do setor, mesmo após semanas de mediação do Tribunal Regional do Trabalho da Bahia (TRT-BA).
A decisão de cruzar os braços foi aprovada em assembleia da categoria realizada na quinta-feira (21), após o Sindicato dos Rodoviários declarar o esgotamento das tratativas. A mobilização afeta diretamente as operações de empresas como OT TRANS e Plataforma, impactando o fluxo de passageiros em Salvador e em toda a Região Metropolitana (RMS).
O Início da Paralisação e o Cenário das Negociações
A greve dos rodoviários foi deflagrada após a categoria não chegar a um consenso com o setor patronal em relação às propostas de reajuste salarial e benefícios. As negociações, que se estenderam por semanas, contaram com a participação ativa do TRT-BA na tentativa de intermediar um acordo que evitasse a paralisação do serviço essencial.
Apesar do início da greve, o diálogo não foi completamente interrompido. Uma nova assembleia dos trabalhadores está agendada para a manhã desta sexta-feira, na sede do sindicato, onde será analisada uma proposta recente apresentada durante a mediação do TRT-BA. Em seguida, uma nova audiência está prevista no tribunal, reunindo representantes dos rodoviários e das empresas de ônibus, na busca por uma solução para o impasse.
Reivindicações da Categoria e Propostas Patronais
Entre as principais demandas dos rodoviários está a busca por um ganho real de 5% acima da inflação, que atualmente se situa em torno de 4,18%. Essa proposta visa não apenas a correção inflacionária, mas também a ampliação do poder de compra dos trabalhadores, refletindo em um aumento efetivo nos salários.
Em contrapartida, os empresários do setor apresentaram uma oferta de ganho real de 2,36% sobre uma inflação de 4,11%. Essa proposta foi considerada insuficiente pelo sindicato ao longo das negociações, mantendo o distanciamento entre as partes. Além do reajuste salarial, a pauta de reivindicações da categoria inclui pontos cruciais relacionados a benefícios e condições de trabalho, como plano de saúde, auxílio alimentação, quinquênio e financiamento da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Medidas Judiciais e Alternativas de Transporte
Diante da iminência da paralisação, o Tribunal Regional do Trabalho da Bahia (TRT-BA), sob a presidência de Ivana Magaldi, determinou a manutenção de uma frota mínima de ônibus. Nos horários de pico, compreendidos entre 4h30 e 8h30 e das 17h às 20h, deve ser garantido o funcionamento de pelo menos 60% da frota. Nos demais períodos, o percentual mínimo estabelecido é de 40%.
O descumprimento dessa determinação judicial acarretará uma multa diária de R$ 50 mil ao Sindicato dos Rodoviários. Para mitigar os impactos da greve, a Secretaria Municipal de Mobilidade de Salvador (Semob) anunciou o reforço do sistema com a inclusão de 180 ônibus do Sistema de Transporte Complementar (STEC), popularmente conhecidos como “amarelinhos”. A Prefeitura de Salvador também ingressou com um pedido judicial para assegurar a frota mínima.
Enquanto isso, a CCR Metrô Bahia, concessionária responsável pelo sistema metroviário da capital, informou que sua operação não sofrerá alterações detalhadas nesta sexta-feira, com equipes mobilizadas para manter o funcionamento normal. A empresa orientou os usuários a planejarem seus deslocamentos e a acompanharem os canais oficiais para atualizações.
Impacto na Região Metropolitana e Próximos Passos
A paralisação dos rodoviários em Salvador também repercute no transporte metropolitano. O Sindicato dos Rodoviários Metropolitano (Sindmetro) confirmou que os ônibus metropolitanos operarão normalmente, porém, com acesso restrito apenas às estações, sem adentrar o centro urbano da capital. Linhas como Expresso Vitória, Atlântico, Avanço e Cidade Sol, além do metrô e ônibus intermunicipais que partem da rodoviária, devem manter suas operações regulares.
As últimas rodadas de negociação no TRT-BA indicaram um avanço nas propostas, mas ainda sem um consenso final entre as partes. A ausência de acordo pode levar o impasse a um julgamento de dissídio coletivo. O presidente em exercício do Sindicato dos Rodoviários, Fábio Primo, destacou que a proposta mediada será levada à assembleia desta sexta-feira, que decidirá sobre a continuidade ou o encerramento da greve, buscando preservar direitos históricos da categoria, como plano de saúde e benefícios acumulados. Acompanhe as notícias sobre o transporte público no Brasil.




